sábado, 21 de fevereiro de 2026

gotas do esquecer

 pingos da verdade 

gotículas da inverdade

anzóis mágicos na água

o cheiro da ferrugem 

convite das ondas

o beijo da morte.


revolução

outra solução 

uma gota de razão 

nenhum vislumbre

nessa água turva

gotas do esquecer

enlouquecer.


aquela foto 

teu corpo nu

formas sobrepostas 

o cru da aurora 

nas gotas do fenecer

agora vai escurecer 

novas gotas do ser.


voltei ao alvorecer 

era quase o entardecer 

não quero crescer 

ser uma gota

entre

os respingos 

do amanhecer.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

as flores no outro lado

 imagino jardins

várias flores

o perfume 

que exala

um cheiro 

fantástico 


do outro lado 

num outro mundo 

novos horizontes

várias flores 

que nunca murcham

perfumando a vida


o cheiro com todas

as notas de flores

bilhares de pétalas

e multiplas cores

no jardim Divino

desse outro lado.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

temporal

 profunda tempestade 

temporal da saudade 

sangue em gotas no chão 


nas paredes o rastro carmim

nenhum remédio na farmácia 

para a falta do amor saudável 


numa esquina o trovão 

vejo aquele clarão 

não vejo razão 


olhos fechados 

mãos tateando o escuro 

buscando as gotas de chuva


o sangue fluindo na água 

limpando ou sujando 

a nossa solidão.


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

fumaça de novo

 esqueiro na mão 

caixa de cigarros ao lado

aquele tubo branco

um vício sagaz

meu amigo 

das horas 

mortas


acendi uma brasa

a boca aberta 

tragando a fumaça 

prendendo o ar

soprando 

a fumaça no chão

que vício difícil 

de largar




domingo, 1 de fevereiro de 2026

Vórtex

 Entre as alucinações do Vórtex 

Sentimentos me revolvem

Suas antigas verdades

Escalas torcidas

Silêncio frágil


Observo o Vórtice daquele passado

Lágrimas que deveria verter

Horas que a loucura 

Olha pro futuro

Sutilmente


Desmoronou por completo 

Esse muro de argila molhada


Velejaremos pela escuridão

Roubamos do tempo o livro

Tem uma chave sem fechadura

Xô xô xô um inseto não abre a porta


S

A

U

D

A

D

E


DE VERDADE 

DA VERDADE 

NA VERDADE 

SAUDADE

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

sonhos repetidos

 aquela sensação se repetindo

teu rosto encostado no meu ombro

dormimos juntos na pracinha


éramos crianças sem destino

com o ócio ao nosso favor

sinto falta do teu beijo


a carícia na bochecha

o sorriso malicioso tão familiar

essa tua pele abraçando a minha sombra


os fantasmas dizem que não te perdi

até os sussurros do Abismo-Além

escrevem uma nova história


te vejo nos sonhos repetidos

deitado na mesma cama

sonhando com as estrelas


os sonhos são profecias

veremos o futuro

na mesma Cova

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

aquela tatuagem

 riscamos juntos

na pele e no pensamento

esse desejo vívido

de permanecer 

lúcidos


cortei todas as nossas expectativas 

não era medo ou insegurança

era o receio da aliança

ferir o dedo anelar

e me sufocar


o teu destino e o meu destino

teria sido o nosso destino?

era amor demais sem limite

rabiscado na carne

igual tatuagem 


e aquela tatuagem criou elos

dois espíritos unidos

com a mesma dor

sozinhos-juntos

sem amor