sexta-feira, 20 de março de 2026

Sofrimento & Sangue

 é arte
esse sangue que jorra
no caderno 
e na sua mão?

o que não é arte
é artesanato
nesse mundo 
de tanta 
ilusão?

desejo
sair da rotina 
dormir ao amanhecer 
acordar na beira do rio 
sair dessa loucura
da vida cotidiana.

você tem medo da água?
o que é arte e o que é real?

nessa sociedade desigual 
nesse Oceano de escolhas
onde não se escolhe 
respirar
só se escolhe
onde você 
deve se afogar.


domingo, 15 de março de 2026

Aquilo que não escrevi

 Pensei tantas vezes em dizer para aquele ser (des)humano que imaginei várias cenas dele indo dessa para pior, – minha irmã fala que não devo amaldiçoar com palavras –, sei que as palavras ressoam, justamente por isso eu não escrevi. Mas, eu quero amaldiçoar somente esse indivíduo com a visão da realidade.

Eu quero que ele carregue TODO o fardo de suas mentiras e seja um veneno em sua garganta as suas próprias palavras. Imagino como o ato de amaldiçoar pode trazer alívio quando você já está tão cansada das injustiças cotidianas. Mulheres geralmente são as mais cobradas, porém, ninguém vêm enxugar as nossas lágrimas e ninguém observa os esforços sobre-humanos das mulheres nessa sociedade.

Ser mulher é sangrar todo mês, claro que existem aquelas que não sangram e continuam sendo mulheres, mas, o feminino é o Útero. Sem o útero como pode ser outra coisa? Queria perguntar para o primeiro homem que se sentiu uma mulher no corpo errado sobre o que ele sentia da ausência do Útero.

Na verdade, não quero perguntar, não parece importante pensar nisso hoje, eu quero votar numa mulher honesta e forte, que seja presidente do Brasil. Acredito na força da mulher, preciso acreditar. Ninguém vai acreditar por mim, ninguém vai embalar as minhas dores.

O meu pai morreu quando eu tinha 9 anos, eu era o sonho dele que talvez não fosse o sonho da minha mãe, eu queria ser o sonho da minha mãe, ser um sonho de um homem morto é doloroso. O vazio não é possível de mensurar.

Ter um filho sem ter desejo de gestar, ter um filho para jogar no mundo é uma loucura-normal que sempre me revira as entranhas. Eu queria nunca ter parido, eu queria nunca ter visto o meu filho nascer, eu queria decidir sobre o meu corpo sem homens me falando que a maternidade é uma benção divina, eu não renego a maternidade, só odeio o processo.

Eu odeio ser mãe, eu amo o meu filho todos os dias e todas as noites, eu faço ele acordar e faço ele dormir sozinha, eu alimentei aquele pedaço de gente com leite materno por mais de 4 anos, eu amo meu filho mas não preciso fingir que sou uma mãe perfeita, a perfeição não me contemplou nem quando eu estava crescendo no Útero da minha mãe.

Eu volto ao início e digo que sou mãe e pai, o doador de espermatozóides não é um pai, o abusador não é um pai, o estuprador não é um pai, eu sou um pai e sou uma mãe também nessa época de misoginia e FEMINICÍDIO.



quinta-feira, 12 de março de 2026

dos sonhos e das alegorias

 entre as quimeras dançantes 

numa esvoaçante certeza 

mesclando palavras

comendo a razão

zombando 

da ilusão.


é claro

como o dia ao amanhecer 

que não se pode prever

as mares e a chuva

só se pode crer

nessas horas

vazias

do ser.


começamos chorando

saindo de um útero

para o mundo

infinito

dos

vivos.


é uma loucura 

nascer para envelhecer 

surgir na margem

só pra morrer

e renascer

e depois 

morrer

outra

vez.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Ânsia da idade

 tremor que reverberou

agonia numa manhã de sol

somos peixes fora d'água


amo aquela foto da Fazendinha 

pintura capturada por um artista 

e o silêncio que envolve a imagem


escrever com um desejo

suavizar a dor no peito 

acalmar aquele verso


é preciso falar da água 

ou das pequenas cordas

nesse barco que não zarpou?


a solidão das madrugadas 

não pode ser roubada 

por novos fios sem nós


aprendi a tecer o destino

nessa teia de linhas douradas

sem queimar as pontas


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

resPIRAR

 Era sobre a arte de respirar.


Pensamento que gera outro pensamento,

os sons e a canção da realidade

soprando novos sons.


Gosto dessa estrutura e do ritmo,

não gosto de por tantos pontos ou vírgulas 

nesse texto que parece fluir além da realidade.


Talvez, eu seja a própria vertigem ali nos versos

e isso seja parte importante do ato de pensar,

escrevo sobre a loucura entre as lacunas.


Nesse pequeno lapso do tempo-ilusão

eu não almejo ter certezas concretas,

quero respirar e continuar lúcida.


Pensava nas mãos e na tinta, no desenho

e nas pequenas gotas que caem no papel,

não sei mexer com aquela figura da linguagem.


Era apenas uma sensação no meio do céu,

ou era uma fantasia que surgiu nos olhos

e transbordou nesse instante.


sábado, 21 de fevereiro de 2026

gotas do esquecer

 pingos da verdade 

gotículas da inverdade

anzóis mágicos na água

o cheiro da ferrugem 

convite das ondas

o beijo da morte.


revolução

outra solução 

uma gota de razão 

nenhum vislumbre

nessa água turva

gotas do esquecer

enlouquecer.


aquela foto 

teu corpo nu

formas sobrepostas 

o cru da aurora 

nas gotas do fenecer

agora vai escurecer 

novas gotas do ser.


voltei ao alvorecer 

era quase o entardecer 

não quero crescer 

ser uma gota

entre

os respingos 

do amanhecer.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

as flores no outro lado

 imagino jardins

várias flores

o perfume 

que exala

um cheiro 

fantástico 


do outro lado 

num outro mundo 

novos horizontes

várias flores 

que nunca murcham

perfumando a vida


o cheiro com todas

as notas de flores

bilhares de pétalas

e multiplas cores

no jardim Divino

desse outro lado.