ALUCINANTES
Loucuras alucinantes não podem ser dosadas ou medicadas. A lucidez e a insanidade brincam com a verdade. Sabedoria é saber manobrar os silêncios nessa vida.
domingo, 29 de março de 2026
É sobre Suicide Solution
terça-feira, 24 de março de 2026
Revoluções da Moda
a roupa extravagante
é sobre os tempos modernos.
a invisível loucura
o auge da futilidade
esse desejo de potencializar
uma roupagem qualquer.
não é sobre a Moda
é sobre a propaganda
estratégia e método.
o segredo da indústria
a fragilidade do Ego
uma alucinante
incerteza.
domingo, 22 de março de 2026
É sobre os dias de chuva
não é o título, é a data.
isso na reprise, no rádio, na tv
aquele cenário em blue.
ouça as pequenas notas
os pequenos sons
as teclas.
observar o fluir
pensar em resistir
confluir.
sexta-feira, 20 de março de 2026
Sofrimento & Sangue
esse sangue que jorra
no caderno
e na sua mão?
domingo, 15 de março de 2026
Aquilo que não escrevi
Pensei tantas vezes em dizer para aquele ser (des)humano que imaginei várias cenas dele indo dessa para pior, – minha irmã fala que não devo amaldiçoar com palavras –, sei que as palavras ressoam, justamente por isso eu não escrevi. Mas, eu quero amaldiçoar somente esse indivíduo com a visão da realidade.
Eu quero que ele carregue TODO o fardo de suas mentiras e seja um veneno em sua garganta as suas próprias palavras. Imagino como o ato de amaldiçoar pode trazer alívio quando você já está tão cansada das injustiças cotidianas. Mulheres geralmente são as mais cobradas, porém, ninguém vêm enxugar as nossas lágrimas e ninguém observa os esforços sobre-humanos das mulheres nessa sociedade.
Ser mulher é sangrar todo mês, claro que existem aquelas que não sangram e continuam sendo mulheres, mas, o feminino é o Útero. Sem o útero como pode ser outra coisa? Queria perguntar para o primeiro homem que se sentiu uma mulher no corpo errado sobre o que ele sentia da ausência do Útero.
Na verdade, não quero perguntar, não parece importante pensar nisso hoje, eu quero votar numa mulher honesta e forte, que seja presidente do Brasil. Acredito na força da mulher, preciso acreditar. Ninguém vai acreditar por mim, ninguém vai embalar as minhas dores.
O meu pai morreu quando eu tinha 9 anos, eu era o sonho dele que talvez não fosse o sonho da minha mãe, eu queria ser o sonho da minha mãe, ser um sonho de um homem morto é doloroso. O vazio não é possível de mensurar.
Ter um filho sem ter desejo de gestar, ter um filho para jogar no mundo é uma loucura-normal que sempre me revira as entranhas. Eu queria nunca ter parido, eu queria nunca ter visto o meu filho nascer, eu queria decidir sobre o meu corpo sem homens me falando que a maternidade é uma benção divina, eu não renego a maternidade, só odeio o processo.
Eu odeio ser mãe, eu amo o meu filho todos os dias e todas as noites, eu faço ele acordar e faço ele dormir sozinha, eu alimentei aquele pedaço de gente com leite materno por mais de 4 anos, eu amo meu filho mas não preciso fingir que sou uma mãe perfeita, a perfeição não me contemplou nem quando eu estava crescendo no Útero da minha mãe.
Eu volto ao início e digo que sou mãe e pai, o doador de espermatozóides não é um pai, o abusador não é um pai, o estuprador não é um pai, eu sou um pai e sou uma mãe também nessa época de misoginia e FEMINICÍDIO.
quinta-feira, 12 de março de 2026
dos sonhos e das alegorias
entre as quimeras dançantes
numa esvoaçante certeza
mesclando palavras
comendo a razão
zombando
da ilusão.
é claro
como o dia ao amanhecer
que não se pode prever
as mares e a chuva
só se pode crer
nessas horas
vazias
do ser.
começamos chorando
saindo de um útero
para o mundo
infinito
dos
vivos.
é uma loucura
nascer para envelhecer
surgir na margem
só pra morrer
e renascer
e depois
morrer
outra
vez.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
Ânsia da idade
tremor que reverberou
agonia numa manhã de sol
somos peixes fora d'água
amo aquela foto da Fazendinha
pintura capturada por um artista
e o silêncio que envolve a imagem
escrever com um desejo
suavizar a dor no peito
acalmar aquele verso
é preciso falar da água
ou das pequenas cordas
nesse barco que não zarpou?
a solidão das madrugadas
não pode ser roubada
por novos fios sem nós
aprendi a tecer o destino
nessa teia de linhas douradas
sem queimar as pontas