quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

resPIRAR

 Era sobre a arte de respirar.


Pensamento que gera outro pensamento,

os sons e a canção da realidade

soprando novos sons.


Gosto dessa estrutura e do ritmo,

não gosto de por tantos pontos ou vírgulas 

nesse texto que parece fluir além da realidade.


Talvez, eu seja a própria vertigem ali nos versos

e isso seja parte importante do ato de pensar,

escrevo sobre a loucura entre as lacunas.


Nesse pequeno lapso do tempo-ilusão

eu não almejo ter certezas concretas,

quero respirar e continuar lúcida.


Pensava nas mãos e na tinta, no desenho

e nas pequenas gotas que caem no papel,

não sei mexer com aquela figura da linguagem.


Era apenas uma sensação no meio do céu,

ou era uma fantasia que surgiu nos olhos

e transbordou nesse instante.


sábado, 21 de fevereiro de 2026

gotas do esquecer

 pingos da verdade 

gotículas da inverdade

anzóis mágicos na água

o cheiro da ferrugem 

convite das ondas

o beijo da morte.


revolução

outra solução 

uma gota de razão 

nenhum vislumbre

nessa água turva

gotas do esquecer

enlouquecer.


aquela foto 

teu corpo nu

formas sobrepostas 

o cru da aurora 

nas gotas do fenecer

agora vai escurecer 

novas gotas do ser.


voltei ao alvorecer 

era quase o entardecer 

não quero crescer 

ser uma gota

entre

os respingos 

do amanhecer.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

as flores no outro lado

 imagino jardins

várias flores

o perfume 

que exala

um cheiro 

fantástico 


do outro lado 

num outro mundo 

novos horizontes

várias flores 

que nunca murcham

perfumando a vida


o cheiro com todas

as notas de flores

bilhares de pétalas

e multiplas cores

no jardim Divino

desse outro lado.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

temporal

 profunda tempestade 

temporal da saudade 

sangue em gotas no chão 


nas paredes o rastro carmim

nenhum remédio na farmácia 

para a falta do amor saudável 


numa esquina o trovão 

vejo aquele clarão 

não vejo razão 


olhos fechados 

mãos tateando o escuro 

buscando as gotas de chuva


o sangue fluindo na água 

limpando ou sujando 

a nossa solidão.


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

fumaça de novo

 esqueiro na mão 

caixa de cigarros ao lado

aquele tubo branco

um vício sagaz

meu amigo 

das horas 

mortas


acendi uma brasa

a boca aberta 

tragando a fumaça 

prendendo o ar

soprando 

a fumaça no chão

que vício difícil 

de largar




domingo, 1 de fevereiro de 2026

Vórtex

 Entre as alucinações do Vórtex 

Sentimentos me revolvem

Suas antigas verdades

Escalas torcidas

Silêncio frágil


Observo o Vórtice daquele passado

Lágrimas que deveria verter

Horas que a loucura 

Olha pro futuro

Sutilmente


Desmoronou por completo 

Esse muro de argila molhada


Velejaremos pela escuridão

Roubamos do tempo o livro

Tem uma chave sem fechadura

Xô xô xô um inseto não abre a porta


S

A

U

D

A

D

E


DE VERDADE 

DA VERDADE 

NA VERDADE 

SAUDADE

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

sonhos repetidos

 aquela sensação se repetindo

teu rosto encostado no meu ombro

dormimos juntos na pracinha


éramos crianças sem destino

com o ócio ao nosso favor

sinto falta do teu beijo


a carícia na bochecha

o sorriso malicioso tão familiar

essa tua pele abraçando a minha sombra


os fantasmas dizem que não te perdi

até os sussurros do Abismo-Além

escrevem uma nova história


te vejo nos sonhos repetidos

deitado na mesma cama

sonhando com as estrelas


os sonhos são profecias

veremos o futuro

na mesma Cova