quinta-feira, 12 de março de 2026

dos sonhos e das alegorias

 entre as quimeras dançantes 

numa esvoaçante certeza 

mesclando palavras

comendo a razão

zombando 

da ilusão.


é claro

como o dia ao amanhecer 

que não se pode prever

as mares e a chuva

só se pode crer

nessas horas

vazias

do ser.


começamos chorando

saindo de um útero

para o mundo

infinito

dos

vivos.


é uma loucura 

nascer para envelhecer 

surgir na margem

só pra morrer

e renascer

e depois 

morrer

outra

vez.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Ânsia da idade

 tremor que reverberou

agonia numa manhã de sol

somos peixes fora d'água


amo aquela foto da Fazendinha 

pintura capturada por um artista 

e o silêncio que envolve a imagem


escrever com um desejo

suavizar a dor no peito 

acalmar aquele verso


é preciso falar da água 

ou das pequenas cordas

nesse barco que não zarpou?


a solidão das madrugadas 

não pode ser roubada 

por novos fios sem nós


aprendi a tecer o destino

nessa teia de linhas douradas

sem queimar as pontas


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

resPIRAR

 Era sobre a arte de respirar.


Pensamento que gera outro pensamento,

os sons e a canção da realidade

soprando novos sons.


Gosto dessa estrutura e do ritmo,

não gosto de por tantos pontos ou vírgulas 

nesse texto que parece fluir além da realidade.


Talvez, eu seja a própria vertigem ali nos versos

e isso seja parte importante do ato de pensar,

escrevo sobre a loucura entre as lacunas.


Nesse pequeno lapso do tempo-ilusão

eu não almejo ter certezas concretas,

quero respirar e continuar lúcida.


Pensava nas mãos e na tinta, no desenho

e nas pequenas gotas que caem no papel,

não sei mexer com aquela figura da linguagem.


Era apenas uma sensação no meio do céu,

ou era uma fantasia que surgiu nos olhos

e transbordou nesse instante.


sábado, 21 de fevereiro de 2026

gotas do esquecer

 pingos da verdade 

gotículas da inverdade

anzóis mágicos na água

o cheiro da ferrugem 

convite das ondas

o beijo da morte.


revolução

outra solução 

uma gota de razão 

nenhum vislumbre

nessa água turva

gotas do esquecer

enlouquecer.


aquela foto 

teu corpo nu

formas sobrepostas 

o cru da aurora 

nas gotas do fenecer

agora vai escurecer 

novas gotas do ser.


voltei ao alvorecer 

era quase o entardecer 

não quero crescer 

ser uma gota

entre

os respingos 

do amanhecer.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

as flores no outro lado

 imagino jardins

várias flores

o perfume 

que exala

um cheiro 

fantástico 


do outro lado 

num outro mundo 

novos horizontes

várias flores 

que nunca murcham

perfumando a vida


o cheiro com todas

as notas de flores

bilhares de pétalas

e multiplas cores

no jardim Divino

desse outro lado.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

temporal

 profunda tempestade 

temporal da saudade 

sangue em gotas no chão 


nas paredes o rastro carmim

nenhum remédio na farmácia 

para a falta do amor saudável 


numa esquina o trovão 

vejo aquele clarão 

não vejo razão 


olhos fechados 

mãos tateando o escuro 

buscando as gotas de chuva


o sangue fluindo na água 

limpando ou sujando 

a nossa solidão.


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

fumaça de novo

 esqueiro na mão 

caixa de cigarros ao lado

aquele tubo branco

um vício sagaz

meu amigo 

das horas 

mortas


acendi uma brasa

a boca aberta 

tragando a fumaça 

prendendo o ar

soprando 

a fumaça no chão

que vício difícil 

de largar