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domingo, 8 de fevereiro de 2015

não diga não

 
olhe para aquelas casas
foram abandonadas
na esquina


não diga não
nem fale sobre o ontem
pare de desejar o que ainda virá


escute com atenção
essas folhas que cantam
dentro das raízes no fundo da Terra 


cada pequena semente
esconde um tesouro
resplandecente


não fale
as frases afiadas
que cortam gargantas humanas


nem diga novamente
o quanto deseja
ir ao futuro


aproveite o agora
veja as luzes que brilham
em cada célula desta bela ilusão


ouça as vozes do Outro Mundo
escreva sobre nuvens
não diga não

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Areia



Ressecada e amarela,
Cor da pele de um estranho,
Gosto na boca depois de passar.

A brisa vem devagar e devagar,
O vento sopra mesmo no fundo do mar,
Gosto de dor e sangue no céu da boca.

Parece um recomeço no meio,
Ou só o fim de uma etapa
Com gosto de areia.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

PENSE NAS NUVENS



Pense nas nuvens,
pense na brancura das nuvens
e esqueça-se dos versos.

Pense no céu,
pense na finitude do azul
e esqueça-se das cores.

Esqueça-se dos versos,
esqueça-se das cores
e morra sem dores.

Pense na delicadeza das nuvens,
na esvoaçante beleza das nuvens,
pense no formato das nuvens.

Pense um pouco na dor,
cante um pouco, por favor,
e esqueça-se dos versos.

Pense um pouco nas lágrimas,
escolha entre sorrisos e magoas,
por fim, pense nas nuvens.

terça-feira, 4 de junho de 2013

O Lado Surreal do Amor

                                                                 
 Dedicado aos queridos e inesquecíveis amigos(as)

Amor amigo com laços de fita.
Amor certeiro flechado no coração.
Amor ao infinito, além da morte.

Amor além da sorte, além do horizonte.
Amor-amizade salutar sem começo e sem final.
Amor que é como um vendaval.

Amor-correnteza que só gera certeza.
Amor que nasce da sua maior nobreza.
Amor atemporal com pitadas de sal.

Amor sem contorno que transborda
em linhas tortas e preenche o quadro todo.

Amor além da morte repleto de vida,
repleto de luz, repleto de recordações.


quarta-feira, 24 de abril de 2013

Divagação nº3



Um dia, um verso, um sentimento.
Um retrocesso, um raio-X, um impedimento.

Pensamentos aleatórios sobre o porvir.
Pensamentos que geram outros pensamentos.

Um dia, um desfecho, um sentimento.
Um retrocesso, um fim inesperado, um desapontamento.

terça-feira, 16 de abril de 2013

particular-mente

veja só esse céu cor do mar
veja a lua e beije alguém
veja a cor do amor

solte o fio do destino
solte fogo no ar
solte a corda

veja o brilho no olhar
veja a face no azul
veja só essa cor

solte sua mão da minha mão
solte um grito estridente
solte essa dor no ar

veja agora alegria em meu rosto
veja bem essa curva na boca
veja o risco nesse papel

solte as folhas bem devagar
solte fagulhas na água
solte versos no ar

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Sem necessidade de título


Nenhum verso inflama,
nenhum verso arrebata a dor.

O maldito rato vai passando pela sala,
não tem medo do veneno que o aguarda na cozinha.

E o verso morre na garganta do poeta,
o verso morre na garganta.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Quase adeus

Falta um pouco mais de alma na hora de entender a surrealidade do adeus.


Falta-me calma, ou a calma não falta,
Sinto meus pés afundando na lama,
E chegou a hora de partir.

Entender o adeus,
Compartilhar a tristeza,
Escrevendo sobre a surrealidade do adeus.

Eu não sinto minhas pernas, não sinto o chão,
Sinto apenas o frio em meus ossos,
Estou acenando na chuva.

Falta um pouco mais de alma na hora de sorrir,
Quero entender a surrealidade do fim,
Quase corri ao encontro da dor.

Esse é um quase adeus ou parece um adeus?
Não sei diferenciar o que é do que não pode ser,
Não sei amar sem pensar na trama do fim.

Falta-me um pouco de sentimento,
Quase não vejo além do azul,
Esqueço do adeus.

Entalei na garganta o choro,
Fiquei calada olhando o céu cinzento,
É fácil sorrir quando anoitece e a dor adormece.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Fútil ilusão



Ela correu dos braços d'Ele,
Ela andou chorando e cantando,
Ela faleceu em plena queda.

O Senhor das Trevas aplaudiu,
O adeus engatado na garganta,
O calor em meio ao frio.

A capa vermelha lhe cobriu,
A felicidade era ilusão.
A sua fútil ilusão.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Quase verso




A
minha coruja é vesga, não sei dizer como nem porque,
A minha coruja tem amora no peito e não sorri,
A minha coruja poderia ser um bem-te-vi,

A minha coruja é multi-verso e multi-amor,
A minha coruja não tem nenhuma flor,
A minha coruja é multi-cor.

A minha coruja rasgou a minha pele,
A minha coruja se pintou nessa minha pele,
A minha coruja é surreal, não tem vida nem final.

A minha coruja é surreal, ela marcou um ciclo no final,
A minha coruja voará sempre no mesmo lugar,
A minha coruja viverá em minha carne.

A minha coruja é sangue e dor,
A minha coruja é um rabisco alucinante,
A minha coruja é coruja e vai além do véu transcendental.

domingo, 28 de outubro de 2012

Chaves enferrujam




Chaves perdidas
Chaves quebradas
Chaves enferrujadas

As minhas chaves somem
Somem e se quebram
Quebram e enferrujam

No coração a chave enferrujou
Enferrujou a chave dentro do meu coração
Dentro do meu coração a chave enferrujada se quebrou

E se perdeu a chave do meu coração
Dentro da fechadura a chave enferrujou
E no meu coração a ferrugem se alojou

As chaves enferrujam
Normalmente as chaves enferrujam
Novamente as chaves somem ou enferrujam

Enferrujei também
Enferrujei perdida e absorta
Enferrujei dentro deste mundo

Calei bem fundo a dor
Enferrujada e quebrada
Calei bem fundo a magoa

No coração a chave enferrujada
Permanece incrustada
Quebrada

E incrustada vai enferrujando
A chave que um dia dei a minha amada
Permanece em meu coração incrustada e enferrujada

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Outra verdade



A vida é breve ilusão, fantasia vã que evapora.
Vai passar. A sensação, a realidade não, a realidade é concreta.
Viva, pare de pensar na morte, a morte é outra vida.

Chorar por nada, chorar em plena madrugada não é piada.
Ter alucinações em plena viagem astral é surreal.
A vida é breve ilusão, fantasia vã que evapora.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Realidade paralela


Menos uma folha de papel
Canetas colorindo o arco-iris
Rascunhos na madeira

Palavras esquecidas em teu olhar
O calor do teu afeto faz suar
Tua doce voz é melodia salutar

O amor é uma flor roxa (?)
Amar-te eternamente é fantasia
Calar-me-ei por algo além do ontem

Observar-te é minha cina
Parta e volte sempre com sorrisos
Diga adeus e ame a minha falta de sorte

Ame-me até o fim e um pouco além
Esqueça o quanto você é importante
Não deixe de acreditar no sentimento

Amor assim é como o vento
Viver assim é meu tormento
Amar-te-ei sem nenhum lamento

A vida é breve e você sonha
Outras vidas vertendo lágrimas
É noite e o frio é nosso melhor amigo

Quero dormir contigo
Quero casar contigo
Quero envelhecer contigo

E no entanto nem posso beijar tua mão
Agora nem posso olhar-te com desejo
Devo morrer na solidão por capricho do destino

Mereço verter milhões de lágrimas
Sou a pior das amantes
Morrerei sozinha

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Castelos de areia



Nas dunas estelares de Uranus
Milhões de fagulhas cósmicas,
Trilhões de pedras na superfície.

Castelos de areia e nenhum fogo,
Granizo verde no chão escuro,
Outra metáfora da vida urbana.

Olhando as nuvens avermelhadas
Pelo canto das pálpebras ressecadas,
Observando estrelas mortas; é madrugada?

Castelos de areia e caos, casas de fazer desconforto,
Riachos artificiais na beira da estrada, enquanto a colisão
É inevitável, esses mares embelezam a Terra.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Vinte e Quatro



Vinte se foram
Quatro ao nascer
Vinte e quatro ilusões

Sem quatro questões
Como milhões num frasco
Comprimidos mágicos
Sabores ardentes
Vinte e quatro
Sorrisos

Quatro decepções
Vinte e poucas alegrias
Nenhuma metáfora
Por envelhecer


Vinte e quatro em carne
Recolhendo floreios
Aprendendo valores
Revivendo amores
Envelhecendo

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Aspirações



Conspirações entre Universos
Aspiradores do além
Fagulhas do fim
Escolhas

Complicações
Outras ilusões no limbo
Mesóclises ocasionais na mesa

Lirismo ao pé dos fatos
Egoísta-mor sutil
Insinuante ardil
Temperamental afã
Escolha as ditas aspirações

terça-feira, 5 de junho de 2012

Querer avesso



Querer rasgar o peito,
Cortar todos os ligamentos
E despedaçar as vísceras com as mãos.

Querer morrer de amor,
Cortar toda e qualquer dor
E despedaçar as flores do quintal.

Querer sair do ar,
Cortar as sinapses neurais
E despedaçar as lembranças surreais.

Querer macular o céu,
Cortar as nuvens em pleno ar
E despedaçar as conchas no fundo do mar.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Divagações


Um giro perfeito não deveria nos deixar tão zonzos.
Uma alegria antiga não deveria fazer-nos chorar.
Um olhar familiar não deveria nos magoar.

Um beijo antes do adeus não deveria ser sobre o fim,
Um beijo apenas alegraria e iluminaria o todo.
Um beijo assim não deveria acontecer.

Um giro perfeito não estremece o mundo?
Um mundo perfeito não gira a todo segundo?
Um adeus sempre destrói os nossos mundos?

Uma alegria furtiva e profunda.
Uma tristeza sem final.
Uma verdade.

sábado, 3 de março de 2012

Mudanças



Algumas folhas rabiscadas
Unidas com barbante
E cola de isopor

A agenda nova em folha
Amarelo-claro, verde-oliva, azul
Com papeis mágicos cheios de possibilidades

Buracos de minhoca no meu Universo
Um mar reverso cheio de caos
Com algas desidratadas

A menina dos meus olhos
Cegou minha razão antes de partir
Com mudanças que poderiam se convergir

Essa brevidade do Ser
Parece falácia do inconsciente
O coletivo é onipresente nesse mar revolto

Mudei-me completamente por dentro
Costurei botões em minhas mãos
Alinhavei as bainhas do destino