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segunda-feira, 8 de julho de 2013

PENSE NAS NUVENS



Pense nas nuvens,
pense na brancura das nuvens
e esqueça-se dos versos.

Pense no céu,
pense na finitude do azul
e esqueça-se das cores.

Esqueça-se dos versos,
esqueça-se das cores
e morra sem dores.

Pense na delicadeza das nuvens,
na esvoaçante beleza das nuvens,
pense no formato das nuvens.

Pense um pouco na dor,
cante um pouco, por favor,
e esqueça-se dos versos.

Pense um pouco nas lágrimas,
escolha entre sorrisos e magoas,
por fim, pense nas nuvens.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Divagação nº3



Um dia, um verso, um sentimento.
Um retrocesso, um raio-X, um impedimento.

Pensamentos aleatórios sobre o porvir.
Pensamentos que geram outros pensamentos.

Um dia, um desfecho, um sentimento.
Um retrocesso, um fim inesperado, um desapontamento.

terça-feira, 16 de abril de 2013

particular-mente

veja só esse céu cor do mar
veja a lua e beije alguém
veja a cor do amor

solte o fio do destino
solte fogo no ar
solte a corda

veja o brilho no olhar
veja a face no azul
veja só essa cor

solte sua mão da minha mão
solte um grito estridente
solte essa dor no ar

veja agora alegria em meu rosto
veja bem essa curva na boca
veja o risco nesse papel

solte as folhas bem devagar
solte fagulhas na água
solte versos no ar

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Sem necessidade de título


Nenhum verso inflama,
nenhum verso arrebata a dor.

O maldito rato vai passando pela sala,
não tem medo do veneno que o aguarda na cozinha.

E o verso morre na garganta do poeta,
o verso morre na garganta.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Fútil ilusão



Ela correu dos braços d'Ele,
Ela andou chorando e cantando,
Ela faleceu em plena queda.

O Senhor das Trevas aplaudiu,
O adeus engatado na garganta,
O calor em meio ao frio.

A capa vermelha lhe cobriu,
A felicidade era ilusão.
A sua fútil ilusão.

domingo, 28 de outubro de 2012

Chaves enferrujam




Chaves perdidas
Chaves quebradas
Chaves enferrujadas

As minhas chaves somem
Somem e se quebram
Quebram e enferrujam

No coração a chave enferrujou
Enferrujou a chave dentro do meu coração
Dentro do meu coração a chave enferrujada se quebrou

E se perdeu a chave do meu coração
Dentro da fechadura a chave enferrujou
E no meu coração a ferrugem se alojou

As chaves enferrujam
Normalmente as chaves enferrujam
Novamente as chaves somem ou enferrujam

Enferrujei também
Enferrujei perdida e absorta
Enferrujei dentro deste mundo

Calei bem fundo a dor
Enferrujada e quebrada
Calei bem fundo a magoa

No coração a chave enferrujada
Permanece incrustada
Quebrada

E incrustada vai enferrujando
A chave que um dia dei a minha amada
Permanece em meu coração incrustada e enferrujada

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Realidade paralela


Menos uma folha de papel
Canetas colorindo o arco-iris
Rascunhos na madeira

Palavras esquecidas em teu olhar
O calor do teu afeto faz suar
Tua doce voz é melodia salutar

O amor é uma flor roxa (?)
Amar-te eternamente é fantasia
Calar-me-ei por algo além do ontem

Observar-te é minha cina
Parta e volte sempre com sorrisos
Diga adeus e ame a minha falta de sorte

Ame-me até o fim e um pouco além
Esqueça o quanto você é importante
Não deixe de acreditar no sentimento

Amor assim é como o vento
Viver assim é meu tormento
Amar-te-ei sem nenhum lamento

A vida é breve e você sonha
Outras vidas vertendo lágrimas
É noite e o frio é nosso melhor amigo

Quero dormir contigo
Quero casar contigo
Quero envelhecer contigo

E no entanto nem posso beijar tua mão
Agora nem posso olhar-te com desejo
Devo morrer na solidão por capricho do destino

Mereço verter milhões de lágrimas
Sou a pior das amantes
Morrerei sozinha

sábado, 3 de março de 2012

Mudanças



Algumas folhas rabiscadas
Unidas com barbante
E cola de isopor

A agenda nova em folha
Amarelo-claro, verde-oliva, azul
Com papeis mágicos cheios de possibilidades

Buracos de minhoca no meu Universo
Um mar reverso cheio de caos
Com algas desidratadas

A menina dos meus olhos
Cegou minha razão antes de partir
Com mudanças que poderiam se convergir

Essa brevidade do Ser
Parece falácia do inconsciente
O coletivo é onipresente nesse mar revolto

Mudei-me completamente por dentro
Costurei botões em minhas mãos
Alinhavei as bainhas do destino

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Quase morte


Vislumbre do infinito no espelho d'água;
Carnavalizar com o medo em folias vans.
Eu 'coisifiquei' o pós-vida no momento presente
Abraçando o meu e o teu passado afetuosamente.

Numa quase morte encontrei a lógica da vida,
Procurei as brechas nas páginas não-lidas;
Um coração só bombeia o sangue?

Mentir quando a verdade escapa
E o controle remoto te quebra.

É quase morte divina!?

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Lacunas no tempo



O ontem não passou
de belo beija-flor
sem violetas na janela

Voando baixo
rente a minha porta
um bem-te-vi

Ao pôr-do-Sol dourado
com pintas azuis
em nuvens borboletas 

Lacunas no espaço
o tempo é um presente
e há violetas roxas na janela

O hoje acabou
mais uma festa começou
e alguém morreu num leito hospitalar

Ninguém chorou
pobre beija-flor sem flor
lindo que te vi num bem-te-vi

Iluminada hora ignorada
na lacuna do porvir
o tempo chora

É só o tempo de ir embora
Ou agora ou no depois
sem revirar voltas

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Ousadia



Ousei rasgar tuas vestes
Cobrir teu corpo nu com folhas
Esmagar rosas em teus cabelos negros

Ousei colorir tuas mãos brancas
Colocando tinturas rubras
Nos pinceis mágicos

Ousei por ousar
Criei por criar
Ousadia

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Vejo um giro perfeito


Vejo beleza nas raízes daquelas árvores mortas.
Vejo o infinito no olhar daquele gato preto.
Vejo a vida passar correndo por mim.
Vejo rochas na cor do nosso céu.
Vejo sinais nas frutas verdes.
Vejo loucura no espelho.
Vejo um giro perfeito.
Vejo fantasmas.
Vejo você.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Ver e não perceber


Vejo tudo embaçado e sem contorno.
Vejo o mundo de cabeça pra baixo.
Vejo o Sol na cor laranja.

Não vejo mais o azul nas folhas verdes.
Não vejo luz no fim daquele túnel.
Não vejo nada sem os óculos.

Vejo uma montanha imaginária de problemas.
Vejo o chão lajotado com vidros e pedras.
Vejo as mesmas cores desbotando.

Não vejo o amanhecer energizante dos pacientes.
Não vejo o teu quadro com linhas douradas.
Não vejo o interior deste corpo celeste.