domingo, 22 de março de 2026

É sobre os dias de chuva

 não é o título, é a data.

isso na reprise, no rádio, na tv

aquele cenário em blue.


ouça as pequenas notas

os pequenos sons

as teclas.


observar o fluir

pensar em resistir 

confluir.

sexta-feira, 20 de março de 2026

Sofrimento & Sangue

 é arte
esse sangue que jorra
no caderno 
e na sua mão?

o que não é arte
é artesanato
nesse mundo 
de tanta 
ilusão?

desejo
sair da rotina 
dormir ao amanhecer 
acordar na beira do rio 
sair dessa loucura
da vida cotidiana.

você tem medo da água?
o que é arte e o que é real?

nessa sociedade desigual 
nesse Oceano de escolhas
onde não se escolhe 
respirar
só se escolhe
onde você 
deve se afogar.


domingo, 15 de março de 2026

Aquilo que não escrevi

 Pensei tantas vezes em dizer para aquele ser (des)humano que imaginei várias cenas dele indo dessa para pior, – minha irmã fala que não devo amaldiçoar com palavras –, sei que as palavras ressoam, justamente por isso eu não escrevi. Mas, eu quero amaldiçoar somente esse indivíduo com a visão da realidade.

Eu quero que ele carregue TODO o fardo de suas mentiras e seja um veneno em sua garganta as suas próprias palavras. Imagino como o ato de amaldiçoar pode trazer alívio quando você já está tão cansada das injustiças cotidianas. Mulheres geralmente são as mais cobradas, porém, ninguém vêm enxugar as nossas lágrimas e ninguém observa os esforços sobre-humanos das mulheres nessa sociedade.

Ser mulher é sangrar todo mês, claro que existem aquelas que não sangram e continuam sendo mulheres, mas, o feminino é o Útero. Sem o útero como pode ser outra coisa? Queria perguntar para o primeiro homem que se sentiu uma mulher no corpo errado sobre o que ele sentia da ausência do Útero.

Na verdade, não quero perguntar, não parece importante pensar nisso hoje, eu quero votar numa mulher honesta e forte, que seja presidente do Brasil. Acredito na força da mulher, preciso acreditar. Ninguém vai acreditar por mim, ninguém vai embalar as minhas dores.

O meu pai morreu quando eu tinha 9 anos, eu era o sonho dele que talvez não fosse o sonho da minha mãe, eu queria ser o sonho da minha mãe, ser um sonho de um homem morto é doloroso. O vazio não é possível de mensurar.

Ter um filho sem ter desejo de gestar, ter um filho para jogar no mundo é uma loucura-normal que sempre me revira as entranhas. Eu queria nunca ter parido, eu queria nunca ter visto o meu filho nascer, eu queria decidir sobre o meu corpo sem homens me falando que a maternidade é uma benção divina, eu não renego a maternidade, só odeio o processo.

Eu odeio ser mãe, eu amo o meu filho todos os dias e todas as noites, eu faço ele acordar e faço ele dormir sozinha, eu alimentei aquele pedaço de gente com leite materno por mais de 4 anos, eu amo meu filho mas não preciso fingir que sou uma mãe perfeita, a perfeição não me contemplou nem quando eu estava crescendo no Útero da minha mãe.

Eu volto ao início e digo que sou mãe e pai, o doador de espermatozóides não é um pai, o abusador não é um pai, o estuprador não é um pai, eu sou um pai e sou uma mãe também nessa época de misoginia e FEMINICÍDIO.



quinta-feira, 12 de março de 2026

dos sonhos e das alegorias

 entre as quimeras dançantes 

numa esvoaçante certeza 

mesclando palavras

comendo a razão

zombando 

da ilusão.


é claro

como o dia ao amanhecer 

que não se pode prever

as mares e a chuva

só se pode crer

nessas horas

vazias

do ser.


começamos chorando

saindo de um útero

para o mundo

infinito

dos

vivos.


é uma loucura 

nascer para envelhecer 

surgir na margem

só pra morrer

e renascer

e depois 

morrer

outra

vez.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Ânsia da idade

 tremor que reverberou

agonia numa manhã de sol

somos peixes fora d'água


amo aquela foto da Fazendinha 

pintura capturada por um artista 

e o silêncio que envolve a imagem


escrever com um desejo

suavizar a dor no peito 

acalmar aquele verso


é preciso falar da água 

ou das pequenas cordas

nesse barco que não zarpou?


a solidão das madrugadas 

não pode ser roubada 

por novos fios sem nós


aprendi a tecer o destino

nessa teia de linhas douradas

sem queimar as pontas


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

resPIRAR

 Era sobre a arte de respirar.


Pensamento que gera outro pensamento,

os sons e a canção da realidade

soprando novos sons.


Gosto dessa estrutura e do ritmo,

não gosto de por tantos pontos ou vírgulas 

nesse texto que parece fluir além da realidade.


Talvez, eu seja a própria vertigem ali nos versos

e isso seja parte importante do ato de pensar,

escrevo sobre a loucura entre as lacunas.


Nesse pequeno lapso do tempo-ilusão

eu não almejo ter certezas concretas,

quero respirar e continuar lúcida.


Pensava nas mãos e na tinta, no desenho

e nas pequenas gotas que caem no papel,

não sei mexer com aquela figura da linguagem.


Era apenas uma sensação no meio do céu,

ou era uma fantasia que surgiu nos olhos

e transbordou nesse instante.


sábado, 21 de fevereiro de 2026

gotas do esquecer

 pingos da verdade 

gotículas da inverdade

anzóis mágicos na água

o cheiro da ferrugem 

convite das ondas

o beijo da morte.


revolução

outra solução 

uma gota de razão 

nenhum vislumbre

nessa água turva

gotas do esquecer

enlouquecer.


aquela foto 

teu corpo nu

formas sobrepostas 

o cru da aurora 

nas gotas do fenecer

agora vai escurecer 

novas gotas do ser.


voltei ao alvorecer 

era quase o entardecer 

não quero crescer 

ser uma gota

entre

os respingos 

do amanhecer.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

as flores no outro lado

 imagino jardins

várias flores

o perfume 

que exala

um cheiro 

fantástico 


do outro lado 

num outro mundo 

novos horizontes

várias flores 

que nunca murcham

perfumando a vida


o cheiro com todas

as notas de flores

bilhares de pétalas

e multiplas cores

no jardim Divino

desse outro lado.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

temporal

 profunda tempestade 

temporal da saudade 

sangue em gotas no chão 


nas paredes o rastro carmim

nenhum remédio na farmácia 

para a falta do amor saudável 


numa esquina o trovão 

vejo aquele clarão 

não vejo razão 


olhos fechados 

mãos tateando o escuro 

buscando as gotas de chuva


o sangue fluindo na água 

limpando ou sujando 

a nossa solidão.


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

fumaça de novo

 esqueiro na mão 

caixa de cigarros ao lado

aquele tubo branco

um vício sagaz

meu amigo 

das horas 

mortas


acendi uma brasa

a boca aberta 

tragando a fumaça 

prendendo o ar

soprando 

a fumaça no chão

que vício difícil 

de largar




domingo, 1 de fevereiro de 2026

Vórtex

 Entre as alucinações do Vórtex 

Sentimentos me revolvem

Suas antigas verdades

Escalas torcidas

Silêncio frágil


Observo o Vórtice daquele passado

Lágrimas que deveria verter

Horas que a loucura 

Olha pro futuro

Sutilmente


Desmoronou por completo 

Esse muro de argila molhada


Velejaremos pela escuridão

Roubamos do tempo o livro

Tem uma chave sem fechadura

Xô xô xô um inseto não abre a porta


S

A

U

D

A

D

E


DE VERDADE 

DA VERDADE 

NA VERDADE 

SAUDADE

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

sonhos repetidos

 aquela sensação se repetindo

teu rosto encostado no meu ombro

dormimos juntos na pracinha


éramos crianças sem destino

com o ócio ao nosso favor

sinto falta do teu beijo


a carícia na bochecha

o sorriso malicioso tão familiar

essa tua pele abraçando a minha sombra


os fantasmas dizem que não te perdi

até os sussurros do Abismo-Além

escrevem uma nova história


te vejo nos sonhos repetidos

deitado na mesma cama

sonhando com as estrelas


os sonhos são profecias

veremos o futuro

na mesma Cova

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

aquela tatuagem

 riscamos juntos

na pele e no pensamento

esse desejo vívido

de permanecer 

lúcidos


cortei todas as nossas expectativas 

não era medo ou insegurança

era o receio da aliança

ferir o dedo anelar

e me sufocar


o teu destino e o meu destino

teria sido o nosso destino?

era amor demais sem limite

rabiscado na carne

igual tatuagem 


e aquela tatuagem criou elos

dois espíritos unidos

com a mesma dor

sozinhos-juntos

sem amor


terça-feira, 20 de janeiro de 2026

sobre o Além das alucinações

Fitamos as cores no reflexo da água

pigmentos em tons furta cor

esses olhos que surgem

numa gota de sangue


(...)


Existe vida no fundo da lava

chamas de sentido além

no infinito da Terra

fogo que gera

alma


(...)


Uma boca que surge no Ar

cantando melodias

sobre a extensão 

de uma hora


(...)


A verdade de alucinar 

causa uma epifania

no meio do dia 

sobre medos

secretos 


(...)


era sobre o Além das alucinações

e todas essas memórias

desconexas do Além 

no verso oculto.



sábado, 17 de janeiro de 2026

Conversa Vazia

fala sobre o cenário político

inteligência perdida no asfalto

é como o lodo que se alastrou


a cabeça de seres rastejantes

uma fazenda de lendas da tragédia

curral da impunidade e segredos sujos


a mesma conversa Vazia

enredo que se repete em hiatos

nenhum segredo na mesa da sala


rimas carregadas de corrupção

dinheiro na lavanderia da esquina

e pessoas acreditando no absurdo


poesia contemporânea

não é sobre a beleza dos versos

pode ser sobre a conversa completa


terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Voz da Escuridão

 A morte não pede permissão.


Exige que cada fio se esfarrape no devido Tempo

não são todos vermelhos como deveriam

na escuridão da noite as cores murcham

aquele esqueleto tem ossos amarelos


A festa dos monstros

começa no raiar do dia

e se alimenta do calor da energia Solar

para liquidar insetos virulentos antes das 16h


As horas não celebram o amanhã

esse tempo é ilusão e falta de lógica

um monte de barcos na descida do Submundo

Veremos Hades na entrada entre as almas


— Qual a Voz da Escuridão?


domingo, 11 de janeiro de 2026

era sobre a loucura

 parecia verdade 

estava sempre no jornal 

parecia tão real


era sobre uma guerra

não era fantasia

era o início da guerra fria


um presidente louco

outro presidente tolo

e o espião no controle do Mundo 


era sobre hegemonia

não era sobre a supremacia white

devia ser sobre o estopim do Caos


era 2026 e parecia ser 2021

tudo mudou em 2020

nada ficou no lugar 


era só uma epidemia

virou uma onda de revoluções

a distopia do Apocalipse


no livro sagrado 

páginas queimadas

era sobre a loucura


estava escrito

todos os livros sagrados

são ficção na era de 2069


era de um futuro crucial 

a religião não tem mais valor legal

é só um tipo de fantasia dos lunáticos 


essa loucura que cega

entre fanatismo arcaico 

e as motivações do inferno 


nesse futuro concreto 

a única certeza

é o poder


sábado, 10 de janeiro de 2026

o chá de Boldo

Ramos num quintal-piscina,

perto do depósito e da lavanderia 

numa grande bacia em tons

de azul anil desbotando

vive aquele espírito

— é erva, é planta, é amigo!


E bebo aos pequenos goles

deste chá que tem sabor de álcool e leveduras

nesse dia ensolarado de janeiro 

degustando as horas e o ócio 

No chá de boldo.


quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Dia do Leitor

 Hoje 7 de Janeiro é o dia do Leitor.

Esqueço com frequência de certas datas, mas acredito na importância deste dia, os livros são os melhores amigos que tive na infância, arrisco dizer que até hoje valorizo-os mais do que qualquer outra coisa.

A leitura me fez querer conhecer mais sobre detalhes que nenhuma TV ou conversar com outros seres teria feito, sempre fui uma criança anti social. Lembro da biblioteca da escola como um lugar de conforto e alegria, aquele silêncio satisfatório, as estantes cheias de livros e o canto regulador da sobrecarga da sala de aula, ali era um paraíso de possibilidades.

Os professores tiveram sim pontos positivos, porém, o barulho da escola e aquele amontoado de pessoas sempre me causou dor de cabeça, ansiedade e o desejo de me isolar num local silencioso.

O meu cérebro já dava os seus sinais de exaustão, porém, eu não sabia da real situação. Passei fases de exaustão e depressão onde somente o ato de ler me aliviava mesmo que em pequenas doses.

Atualmente sei um pouco da verdade, e agradeço a cada livro que me trouxe de volta para o eixo, escrever também me trás cura, mas, não seria possível escrever se não tivesse sido possível ler.

A vida faz mais sentido se tiver livros no mundo e mais leitores usufruindo de boas leituras.

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domingo, 4 de janeiro de 2026

aos fragmentos

 como recuperar aquele momento?

sentir o gosto real do sentimento.

tocar o espírito e a pele,

acolher cada fractal

e colar

nossos corações

numa fotografia colorida.


essa obsessão que retrocede,

teu nome escrito

com sangue

no meu peito

e a tua voz ecoando

na minha alma desfragmentada.


te vejo nos sonhos 

e quando chove 

quero te segurar nessa fantasia

com todas as minhas forças

só para acordar

nessa cama vazia.