domingo, 1 de fevereiro de 2026

Vórtex

 Entre as alucinações do Vórtex 

Sentimentos me revolvem

Suas antigas verdades

Escalas torcidas

Silêncio frágil


Observo o Vórtice daquele passado

Lágrimas que deveria verter

Horas que a loucura 

Olha pro futuro

Sutilmente


Desmoronou por completo 

Esse muro de argila molhada


Velejaremos pela escuridão

Roubamos do tempo o livro

Tem uma chave sem fechadura

Xô xô xô um inseto não abre a porta


S

A

U

D

A

D

E


DE VERDADE 

DA VERDADE 

NA VERDADE 

SAUDADE

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

sonhos repetidos

 aquela sensação se repetindo

teu rosto encostado no meu ombro

dormimos juntos na pracinha


éramos crianças sem destino

com o ócio ao nosso favor

sinto falta do teu beijo


a carícia na bochecha

o sorriso malicioso tão familiar

essa tua pele abraçando a minha sombra


os fantasmas dizem que não te perdi

até os sussurros do Abismo-Além

escrevem uma nova história


te vejo nos sonhos repetidos

deitado na mesma cama

sonhando com as estrelas


os sonhos são profecias

veremos o futuro

na mesma Cova

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

aquela tatuagem

 riscamos juntos

na pele e no pensamento

esse desejo vívido

de permanecer 

lúcidos


cortei todas as nossas expectativas 

não era medo ou insegurança

era o receio da aliança

ferir o dedo anelar

e me sufocar


o teu destino e o meu destino

teria sido o nosso destino?

era amor demais sem limite

rabiscado na carne

igual tatuagem 


e aquela tatuagem criou elos

dois espíritos unidos

com a mesma dor

sozinhos-juntos

sem amor


terça-feira, 20 de janeiro de 2026

sobre o Além das alucinações

Fitamos as cores no reflexo da água

pigmentos em tons furta cor

esses olhos que surgem

numa gota de sangue


(...)


Existe vida no fundo da lava

chamas de sentido além

no infinito da Terra

fogo que gera

alma


(...)


Uma boca que surge no Ar

cantando melodias

sobre a extensão 

de uma hora


(...)


A verdade de alucinar 

causa uma epifania

no meio do dia 

sobre medos

secretos 


(...)


era sobre o Além das alucinações

e todas essas memórias

desconexas do Além 

no verso oculto.



sábado, 17 de janeiro de 2026

Conversa Vazia

fala sobre o cenário político

inteligência perdida no asfalto

é como o lodo que se alastrou


a cabeça de seres rastejantes

uma fazenda de lendas da tragédia

curral da impunidade e segredos sujos


a mesma conversa Vazia

enredo que se repete em hiatos

nenhum segredo na mesa da sala


rimas carregadas de corrupção

dinheiro na lavanderia da esquina

e pessoas acreditando no absurdo


poesia contemporânea

não é sobre a beleza dos versos

pode ser sobre a conversa completa


terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Voz da Escuridão

 A morte não pede permissão.


Exige que cada fio se esfarrape no devido Tempo

não são todos vermelhos como deveriam

na escuridão da noite as cores murcham

aquele esqueleto tem ossos amarelos


A festa dos monstros

começa no raiar do dia

e se alimenta do calor da energia Solar

para liquidar insetos virulentos antes das 16h


As horas não celebram o amanhã

esse tempo é ilusão e falta de lógica

um monte de barcos na descida do Submundo

Veremos Hades na entrada entre as almas


— Qual a Voz da Escuridão?


domingo, 11 de janeiro de 2026

era sobre a loucura

 parecia verdade 

estava sempre no jornal 

parecia tão real


era sobre uma guerra

não era fantasia

era o início da guerra fria


um presidente louco

outro presidente tolo

e o espião no controle do Mundo 


era sobre hegemonia

não era sobre a supremacia white

devia ser sobre o estopim do Caos


era 2026 e parecia ser 2021

tudo mudou em 2020

nada ficou no lugar 


era só uma epidemia

virou uma onda de revoluções

a distopia do Apocalipse


no livro sagrado 

páginas queimadas

era sobre a loucura


estava escrito

todos os livros sagrados

são ficção na era de 2069


era de um futuro crucial 

a religião não tem mais valor legal

é só um tipo de fantasia dos lunáticos 


essa loucura que cega

entre fanatismo arcaico 

e as motivações do inferno 


nesse futuro concreto 

a única certeza

é o poder


sábado, 10 de janeiro de 2026

o chá de Boldo

Ramos num quintal-piscina,

perto do depósito e da lavanderia 

numa grande bacia em tons

de azul anil desbotando

vive aquele espírito

— é erva, é planta, é amigo!


E bebo aos pequenos goles

deste chá que tem sabor de álcool e leveduras

nesse dia ensolarado de janeiro 

degustando as horas e o ócio 

No chá de boldo.


quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Dia do Leitor

 Hoje 7 de Janeiro é o dia do Leitor.

Esqueço com frequência de certas datas, mas acredito na importância deste dia, os livros são os melhores amigos que tive na infância, arrisco dizer que até hoje valorizo-os mais do que qualquer outra coisa.

A leitura me fez querer conhecer mais sobre detalhes que nenhuma TV ou conversar com outros seres teria feito, sempre fui uma criança anti social. Lembro da biblioteca da escola como um lugar de conforto e alegria, aquele silêncio satisfatório, as estantes cheias de livros e o canto regulador da sobrecarga da sala de aula, ali era um paraíso de possibilidades.

Os professores tiveram sim pontos positivos, porém, o barulho da escola e aquele amontoado de pessoas sempre me causou dor de cabeça, ansiedade e o desejo de me isolar num local silencioso.

O meu cérebro já dava os seus sinais de exaustão, porém, eu não sabia da real situação. Passei fases de exaustão e depressão onde somente o ato de ler me aliviava mesmo que em pequenas doses.

Atualmente sei um pouco da verdade, e agradeço a cada livro que me trouxe de volta para o eixo, escrever também me trás cura, mas, não seria possível escrever se não tivesse sido possível ler.

A vida faz mais sentido se tiver livros no mundo e mais leitores usufruindo de boas leituras.

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domingo, 4 de janeiro de 2026

aos fragmentos

 como recuperar aquele momento?

sentir o gosto real do sentimento.

tocar o espírito e a pele,

acolher cada fractal

e colar

nossos corações

numa fotografia colorida.


essa obsessão que retrocede,

teu nome escrito

com sangue

no meu peito

e a tua voz ecoando

na minha alma desfragmentada.


te vejo nos sonhos 

e quando chove 

quero te segurar nessa fantasia

com todas as minhas forças

só para acordar

nessa cama vazia.