não é o título, é a data.
isso na reprise, no rádio, na tv
aquele cenário em blue.
ouça as pequenas notas
os pequenos sons
as teclas.
observar o fluir
pensar em resistir
confluir.
Loucuras alucinantes não podem ser dosadas ou medicadas. A lucidez e a insanidade brincam com a verdade. Sabedoria é saber manobrar os silêncios nessa vida.
não é o título, é a data.
isso na reprise, no rádio, na tv
aquele cenário em blue.
ouça as pequenas notas
os pequenos sons
as teclas.
observar o fluir
pensar em resistir
confluir.
Pensei tantas vezes em dizer para aquele ser (des)humano que imaginei várias cenas dele indo dessa para pior, – minha irmã fala que não devo amaldiçoar com palavras –, sei que as palavras ressoam, justamente por isso eu não escrevi. Mas, eu quero amaldiçoar somente esse indivíduo com a visão da realidade.
Eu quero que ele carregue TODO o fardo de suas mentiras e seja um veneno em sua garganta as suas próprias palavras. Imagino como o ato de amaldiçoar pode trazer alívio quando você já está tão cansada das injustiças cotidianas. Mulheres geralmente são as mais cobradas, porém, ninguém vêm enxugar as nossas lágrimas e ninguém observa os esforços sobre-humanos das mulheres nessa sociedade.
Ser mulher é sangrar todo mês, claro que existem aquelas que não sangram e continuam sendo mulheres, mas, o feminino é o Útero. Sem o útero como pode ser outra coisa? Queria perguntar para o primeiro homem que se sentiu uma mulher no corpo errado sobre o que ele sentia da ausência do Útero.
Na verdade, não quero perguntar, não parece importante pensar nisso hoje, eu quero votar numa mulher honesta e forte, que seja presidente do Brasil. Acredito na força da mulher, preciso acreditar. Ninguém vai acreditar por mim, ninguém vai embalar as minhas dores.
O meu pai morreu quando eu tinha 9 anos, eu era o sonho dele que talvez não fosse o sonho da minha mãe, eu queria ser o sonho da minha mãe, ser um sonho de um homem morto é doloroso. O vazio não é possível de mensurar.
Ter um filho sem ter desejo de gestar, ter um filho para jogar no mundo é uma loucura-normal que sempre me revira as entranhas. Eu queria nunca ter parido, eu queria nunca ter visto o meu filho nascer, eu queria decidir sobre o meu corpo sem homens me falando que a maternidade é uma benção divina, eu não renego a maternidade, só odeio o processo.
Eu odeio ser mãe, eu amo o meu filho todos os dias e todas as noites, eu faço ele acordar e faço ele dormir sozinha, eu alimentei aquele pedaço de gente com leite materno por mais de 4 anos, eu amo meu filho mas não preciso fingir que sou uma mãe perfeita, a perfeição não me contemplou nem quando eu estava crescendo no Útero da minha mãe.
Eu volto ao início e digo que sou mãe e pai, o doador de espermatozóides não é um pai, o abusador não é um pai, o estuprador não é um pai, eu sou um pai e sou uma mãe também nessa época de misoginia e FEMINICÍDIO.
entre as quimeras dançantes
numa esvoaçante certeza
mesclando palavras
comendo a razão
zombando
da ilusão.
é claro
como o dia ao amanhecer
que não se pode prever
as mares e a chuva
só se pode crer
nessas horas
vazias
do ser.
começamos chorando
saindo de um útero
para o mundo
infinito
dos
vivos.
é uma loucura
nascer para envelhecer
surgir na margem
só pra morrer
e renascer
e depois
morrer
outra
vez.
tremor que reverberou
agonia numa manhã de sol
somos peixes fora d'água
amo aquela foto da Fazendinha
pintura capturada por um artista
e o silêncio que envolve a imagem
escrever com um desejo
suavizar a dor no peito
acalmar aquele verso
é preciso falar da água
ou das pequenas cordas
nesse barco que não zarpou?
a solidão das madrugadas
não pode ser roubada
por novos fios sem nós
aprendi a tecer o destino
nessa teia de linhas douradas
sem queimar as pontas
Era sobre a arte de respirar.
Pensamento que gera outro pensamento,
os sons e a canção da realidade
soprando novos sons.
Gosto dessa estrutura e do ritmo,
não gosto de por tantos pontos ou vírgulas
nesse texto que parece fluir além da realidade.
Talvez, eu seja a própria vertigem ali nos versos
e isso seja parte importante do ato de pensar,
escrevo sobre a loucura entre as lacunas.
Nesse pequeno lapso do tempo-ilusão
eu não almejo ter certezas concretas,
quero respirar e continuar lúcida.
Pensava nas mãos e na tinta, no desenho
e nas pequenas gotas que caem no papel,
não sei mexer com aquela figura da linguagem.
Era apenas uma sensação no meio do céu,
ou era uma fantasia que surgiu nos olhos
e transbordou nesse instante.
pingos da verdade
gotículas da inverdade
anzóis mágicos na água
o cheiro da ferrugem
convite das ondas
o beijo da morte.
revolução
outra solução
uma gota de razão
nenhum vislumbre
nessa água turva
gotas do esquecer
enlouquecer.
aquela foto
teu corpo nu
formas sobrepostas
o cru da aurora
nas gotas do fenecer
agora vai escurecer
novas gotas do ser.
voltei ao alvorecer
era quase o entardecer
não quero crescer
ser uma gota
entre
os respingos
do amanhecer.
imagino jardins
várias flores
o perfume
que exala
um cheiro
fantástico
do outro lado
num outro mundo
novos horizontes
várias flores
que nunca murcham
perfumando a vida
o cheiro com todas
as notas de flores
bilhares de pétalas
e multiplas cores
no jardim Divino
desse outro lado.
profunda tempestade
temporal da saudade
sangue em gotas no chão
nas paredes o rastro carmim
nenhum remédio na farmácia
para a falta do amor saudável
numa esquina o trovão
vejo aquele clarão
não vejo razão
olhos fechados
mãos tateando o escuro
buscando as gotas de chuva
o sangue fluindo na água
limpando ou sujando
a nossa solidão.
esqueiro na mão
caixa de cigarros ao lado
aquele tubo branco
um vício sagaz
meu amigo
das horas
mortas
acendi uma brasa
a boca aberta
tragando a fumaça
prendendo o ar
soprando
a fumaça no chão
que vício difícil
de largar
Entre as alucinações do Vórtex
Sentimentos me revolvem
Suas antigas verdades
Escalas torcidas
Silêncio frágil
Observo o Vórtice daquele passado
Lágrimas que deveria verter
Horas que a loucura
Olha pro futuro
Sutilmente
Desmoronou por completo
Esse muro de argila molhada
Velejaremos pela escuridão
Roubamos do tempo o livro
Tem uma chave sem fechadura
Xô xô xô um inseto não abre a porta
S
A
U
D
A
D
E
DE VERDADE
DA VERDADE
NA VERDADE
SAUDADE
aquela sensação se repetindo
teu rosto encostado no meu ombro
dormimos juntos na pracinha
éramos crianças sem destino
com o ócio ao nosso favor
sinto falta do teu beijo
a carícia na bochecha
o sorriso malicioso tão familiar
essa tua pele abraçando a minha sombra
os fantasmas dizem que não te perdi
até os sussurros do Abismo-Além
escrevem uma nova história
te vejo nos sonhos repetidos
deitado na mesma cama
sonhando com as estrelas
os sonhos são profecias
veremos o futuro
na mesma Cova
riscamos juntos
na pele e no pensamento
esse desejo vívido
de permanecer
lúcidos
cortei todas as nossas expectativas
não era medo ou insegurança
era o receio da aliança
ferir o dedo anelar
e me sufocar
o teu destino e o meu destino
teria sido o nosso destino?
era amor demais sem limite
rabiscado na carne
igual tatuagem
e aquela tatuagem criou elos
dois espíritos unidos
com a mesma dor
sozinhos-juntos
sem amor
Fitamos as cores no reflexo da água
pigmentos em tons furta cor
esses olhos que surgem
numa gota de sangue
(...)
Existe vida no fundo da lava
chamas de sentido além
no infinito da Terra
fogo que gera
alma
(...)
Uma boca que surge no Ar
cantando melodias
sobre a extensão
de uma hora
(...)
A verdade de alucinar
causa uma epifania
no meio do dia
sobre medos
secretos
(...)
era sobre o Além das alucinações
e todas essas memórias
desconexas do Além
no verso oculto.
fala sobre o cenário político
inteligência perdida no asfalto
é como o lodo que se alastrou
a cabeça de seres rastejantes
uma fazenda de lendas da tragédia
curral da impunidade e segredos sujos
a mesma conversa Vazia
enredo que se repete em hiatos
nenhum segredo na mesa da sala
rimas carregadas de corrupção
dinheiro na lavanderia da esquina
e pessoas acreditando no absurdo
poesia contemporânea
não é sobre a beleza dos versos
pode ser sobre a conversa completa
A morte não pede permissão.
Exige que cada fio se esfarrape no devido Tempo
não são todos vermelhos como deveriam
na escuridão da noite as cores murcham
aquele esqueleto tem ossos amarelos
A festa dos monstros
começa no raiar do dia
e se alimenta do calor da energia Solar
para liquidar insetos virulentos antes das 16h
As horas não celebram o amanhã
esse tempo é ilusão e falta de lógica
um monte de barcos na descida do Submundo
Veremos Hades na entrada entre as almas
— Qual a Voz da Escuridão?
parecia verdade
estava sempre no jornal
parecia tão real
era sobre uma guerra
não era fantasia
era o início da guerra fria
um presidente louco
outro presidente tolo
e o espião no controle do Mundo
era sobre hegemonia
não era sobre a supremacia white
devia ser sobre o estopim do Caos
era 2026 e parecia ser 2021
tudo mudou em 2020
nada ficou no lugar
era só uma epidemia
virou uma onda de revoluções
a distopia do Apocalipse
no livro sagrado
páginas queimadas
era sobre a loucura
estava escrito
todos os livros sagrados
são ficção na era de 2069
era de um futuro crucial
a religião não tem mais valor legal
é só um tipo de fantasia dos lunáticos
essa loucura que cega
entre fanatismo arcaico
e as motivações do inferno
nesse futuro concreto
a única certeza
é o poder
Ramos num quintal-piscina,
perto do depósito e da lavanderia
numa grande bacia em tons
de azul anil desbotando
vive aquele espírito
— é erva, é planta, é amigo!
E bebo aos pequenos goles
deste chá que tem sabor de álcool e leveduras
nesse dia ensolarado de janeiro
degustando as horas e o ócio
No chá de boldo.
Hoje 7 de Janeiro é o dia do Leitor.
Esqueço com frequência de certas datas, mas acredito na importância deste dia, os livros são os melhores amigos que tive na infância, arrisco dizer que até hoje valorizo-os mais do que qualquer outra coisa.
A leitura me fez querer conhecer mais sobre detalhes que nenhuma TV ou conversar com outros seres teria feito, sempre fui uma criança anti social. Lembro da biblioteca da escola como um lugar de conforto e alegria, aquele silêncio satisfatório, as estantes cheias de livros e o canto regulador da sobrecarga da sala de aula, ali era um paraíso de possibilidades.
Os professores tiveram sim pontos positivos, porém, o barulho da escola e aquele amontoado de pessoas sempre me causou dor de cabeça, ansiedade e o desejo de me isolar num local silencioso.
O meu cérebro já dava os seus sinais de exaustão, porém, eu não sabia da real situação. Passei fases de exaustão e depressão onde somente o ato de ler me aliviava mesmo que em pequenas doses.
Atualmente sei um pouco da verdade, e agradeço a cada livro que me trouxe de volta para o eixo, escrever também me trás cura, mas, não seria possível escrever se não tivesse sido possível ler.
A vida faz mais sentido se tiver livros no mundo e mais leitores usufruindo de boas leituras.
Siga:
como recuperar aquele momento?
sentir o gosto real do sentimento.
tocar o espírito e a pele,
acolher cada fractal
e colar
nossos corações
numa fotografia colorida.
essa obsessão que retrocede,
teu nome escrito
com sangue
no meu peito
e a tua voz ecoando
na minha alma desfragmentada.
te vejo nos sonhos
e quando chove
quero te segurar nessa fantasia
com todas as minhas forças
só para acordar
nessa cama vazia.