Lucy correu.
Ela correu por tantas horas e a chuva também correu com ela, era um correr frenético entre ruas escuras, poças de lama e praças desconhecidas.
A cada respiração ofegante suas pernas tremiam e já parecia ser impossível chegar ao centro de todas as frustrações que levavam-na para tão longe, correr e correr mais, num desespero asfixiante.
TOC TOC - alguém batendo na porta.
Toc Toc Toc Toc Toc...
Lucy na janela observa o vazio.
O bater na madeira aumenta do lado de fora da casa, ela continua olhando fixamente para um ponto no outro lado do quintal, a porta range um pouco ao ser aberta, ninguém na entrada, apenas um envelope amarelado no tapete.
Ela continua correndo em disparada o mais longe possível, sem direção, apenas numa louca corrida sem ponto final.
Lucy correu em seus pensamentos como uma maratonista eficiente.
(...)
Escrito em 10 de abril de 2017.