sexta-feira, 10 de abril de 2026

Sobre a fuga de Si

 Lucy correu. 

Ela correu por tantas horas e a chuva também correu com ela, era um correr frenético entre ruas escuras, poças de lama e praças desconhecidas.

A cada respiração ofegante suas pernas tremiam e já parecia ser impossível chegar ao centro de todas as frustrações que levavam-na para tão longe, correr e correr mais, num desespero asfixiante.

TOC TOC - alguém batendo na porta.

Toc Toc Toc Toc Toc...


Lucy na janela observa o vazio. 

O bater na madeira aumenta do lado de fora da casa,  ela continua olhando fixamente para um ponto no outro lado do quintal, a porta range um pouco ao ser aberta, ninguém na entrada, apenas um envelope amarelado no tapete.

Ela continua correndo em disparada o mais longe possível, sem direção, apenas numa louca corrida sem ponto final.


Lucy correu em seus pensamentos como uma maratonista eficiente.


(...)

Escrito em 10 de abril de 2017.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

O mundo corre

 Aquela jovem tem talento, real, visível.

Na minha época o mundo já corria como corre agora em 2026? Ser jovem é sentir a vida num prisma totalmente diferente do adulto que observa as mudanças de cada estação.

Eu sempre sonhei com a literatura, eu sempre desejei publicar muitos livros e sempre me fixei na escrita como a salvação e a única beleza da minha geração, ler era minha maior alegria, sentir as páginas dos meus livros preferidos quando voltava pra casa.

O mundo que corre numa velocidade terrível.

Essa observação que transcorre no pensamento e se perde em memórias, não é uma simples falácia. Eu sonho com a poesia e sonho com as palavras como sonho com um mundo melhor. Talvez a vida preste porque existe a poética e a certeza de saborear um verso antes de fechar os olhos pela última vez.

O mundo corre e tudo parece correr junto com ele.