quarta-feira, 2 de março de 2011

Minhas Perdas



Perdi o fato
Perdi o fogo
Perdi o laço
Perdi o leme
Perdi o mago
Perdi o medo
Perdi o remo
Perdi o rumo
Perdi o selo
Perdi o sono
Perdi o tato
Perdi o tolo
Perdi o vaso
Perdi o véu

terça-feira, 1 de março de 2011

Recado

Não me leve a sério,
Me leve a algum lugar.

Meu coração não tem dono.

Só preciso saborear a vida
E me sentir muito querida.

Quando eu estou nervosa
O meu corpo não pará, 
Ele treme sem parar.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Desmazelo

No desalinhado castelo
Teu desmazelado duelo
Foi desleixo apenas


Vosso apelo de nada serviu
Aquele nosso sentimento sumiu
Ter tanto zelo o destruiu


A tua singela nobreza
Não sufocou a beleza
Só tingiu tua realeza

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Tolice


Tolice tua sair na rua
Tragar tubos brancos
Testando os teu sentidos

Tolice dela por não te ligar
Tristeza é algo que sempre pode parar
Temperamentos avassaladores

Tolice misturada com malícia
Tenebrosa delicia para aqueles
Terráqueos com mentalidade avessa

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Adormecida



Ela se mexe e gesticula versos
Tem as mãos amarradas rente
Ao peitoril da cama

Os braços vão vagarosamente
Levantando sem obter vantagem
Dessa maneira

Semi-despertou de sua loucura
Ouve com agonia o som das buzinas
Sonhando floreios e perfumando folhas

Não é bela a imagem dela
Refletida no espelho usado e trincado
Adormecida

Pesadelos vão surgindo em seus sonhos
Gritos sufocados e gemidos abafados
A princesa arde

Figuras embaçadas saem do chão
Criaturas surgem sorrindo sem razão
A dor causa-lhe aflição

Há um pouco de caos nisso tudo
Negar seria vergonhoso
Conte antes do fim

Não cante pela sorte dos anjos
Durma enfim
Fim

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Sonhos e ilusões perdidas



Houve um tempo nublado
Houve um tempo obscuro
Houve um tempo inseguro


Esse tempo foi um sonho
Esse tempo foi uma ilusão
Esse tempo se foi e não volta



Não lembro dos teus sonhos
Não lembro das ilusões perdidas
Não lembro das nossas despedidas

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Fragilidades


Ela permanece sentada no meio da sala
Esperando por um telefonema
Não consegue se concentrar
Resolve terminar a barrinha
De crochê da mantinha do bebê


Ela ouve a canção do passar
Ritmado de carros indo e vindo
Virando e sumindo na estrada
Esburacada que foi construída
Em frente a sua casa

Ela sabe que o rapaz não sente
Algo como o que ela sente por ele
Por isso entende o fato dele 
Não ligar
 Essa verdade indesejada
Só vai ser ignorada até a hora do jantar

Ela suspira um pouco no momento
E chora um tanto antes de se deitar
O ressentimento não tarda
A sua agonia
Fragilidades à parte
Nenhuma