quarta-feira, 27 de março de 2013

Canção verde


  O dia só começa depois que as árvores cantam.

 
 Não é vertigem ou fantasia breve, o dia só começa quando o vento sopra as folhas verdes. 


 Talvez seja loucura, ou pura idiotice.


 Ou talvez, não seja uma miragem, nem alucinação. 


 Talvez seja um lamento em forma de canção, as árvores gemendo porque choram, as árvores que gritam ao cair no chão. 


 O dia só começa após essa canção!


 Os pássaros não cantam como as árvores, os pássaros invejam esse cantar, e as árvores que gemem continuam a chorar.


 Para elas sua música é choro apenas, nada mais do que gemidos em forma de poemas. 


 As árvores não sabem recitar!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Sem necessidade de título


Nenhum verso inflama,
nenhum verso arrebata a dor.

O maldito rato vai passando pela sala,
não tem medo do veneno que o aguarda na cozinha.

E o verso morre na garganta do poeta,
o verso morre na garganta.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Quase adeus

Falta um pouco mais de alma na hora de entender a surrealidade do adeus.


Falta-me calma, ou a calma não falta,
Sinto meus pés afundando na lama,
E chegou a hora de partir.

Entender o adeus,
Compartilhar a tristeza,
Escrevendo sobre a surrealidade do adeus.

Eu não sinto minhas pernas, não sinto o chão,
Sinto apenas o frio em meus ossos,
Estou acenando na chuva.

Falta um pouco mais de alma na hora de sorrir,
Quero entender a surrealidade do fim,
Quase corri ao encontro da dor.

Esse é um quase adeus ou parece um adeus?
Não sei diferenciar o que é do que não pode ser,
Não sei amar sem pensar na trama do fim.

Falta-me um pouco de sentimento,
Quase não vejo além do azul,
Esqueço do adeus.

Entalei na garganta o choro,
Fiquei calada olhando o céu cinzento,
É fácil sorrir quando anoitece e a dor adormece.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Fútil ilusão



Ela correu dos braços d'Ele,
Ela andou chorando e cantando,
Ela faleceu em plena queda.

O Senhor das Trevas aplaudiu,
O adeus engatado na garganta,
O calor em meio ao frio.

A capa vermelha lhe cobriu,
A felicidade era ilusão.
A sua fútil ilusão.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Quase verso




A
minha coruja é vesga, não sei dizer como nem porque,
A minha coruja tem amora no peito e não sorri,
A minha coruja poderia ser um bem-te-vi,

A minha coruja é multi-verso e multi-amor,
A minha coruja não tem nenhuma flor,
A minha coruja é multi-cor.

A minha coruja rasgou a minha pele,
A minha coruja se pintou nessa minha pele,
A minha coruja é surreal, não tem vida nem final.

A minha coruja é surreal, ela marcou um ciclo no final,
A minha coruja voará sempre no mesmo lugar,
A minha coruja viverá em minha carne.

A minha coruja é sangue e dor,
A minha coruja é um rabisco alucinante,
A minha coruja é coruja e vai além do véu transcendental.

domingo, 28 de outubro de 2012

Chaves enferrujam




Chaves perdidas
Chaves quebradas
Chaves enferrujadas

As minhas chaves somem
Somem e se quebram
Quebram e enferrujam

No coração a chave enferrujou
Enferrujou a chave dentro do meu coração
Dentro do meu coração a chave enferrujada se quebrou

E se perdeu a chave do meu coração
Dentro da fechadura a chave enferrujou
E no meu coração a ferrugem se alojou

As chaves enferrujam
Normalmente as chaves enferrujam
Novamente as chaves somem ou enferrujam

Enferrujei também
Enferrujei perdida e absorta
Enferrujei dentro deste mundo

Calei bem fundo a dor
Enferrujada e quebrada
Calei bem fundo a magoa

No coração a chave enferrujada
Permanece incrustada
Quebrada

E incrustada vai enferrujando
A chave que um dia dei a minha amada
Permanece em meu coração incrustada e enferrujada

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Outra verdade



A vida é breve ilusão, fantasia vã que evapora.
Vai passar. A sensação, a realidade não, a realidade é concreta.
Viva, pare de pensar na morte, a morte é outra vida.

Chorar por nada, chorar em plena madrugada não é piada.
Ter alucinações em plena viagem astral é surreal.
A vida é breve ilusão, fantasia vã que evapora.