quinta-feira, 28 de agosto de 2025

A realidade da depressão

 Acordar e imaginar que é um ótimo dia para morrer, dormir novamente pensando em nunca mais levantar, às vezes se ver dentro da terra e a sensação de sufocamento de estar viva parecer menos indigesta. 

É uma sucessão de sentimentos que levam ao mesmo lugar. 

Os dias são cinzentos, os meses são como uma eternidade e os anos são como a certeza de que a vida não tem cor. 

As coisas vão se escurecendo e escurecendo até que com o passar dos anos você entende que não precisa mais continuar.

Não existe mais importância no amanhã, não existe nenhum outro desejo além da certeza de que tudo é insignificante, só existe um pensamento fixo e intrusivo que se torna a realidade. 

Só existe o conforto de envelhecer e partir, assim, a realidade da depressão é que a melhor conclusão é sumir.

As pessoas depressivas escolhem a invisibilidade e a costumeira alegria do sono por não suportar os dias, sobreviver aos dias é como entrar num furacão. 

Todos os dias nessa imensidão de vidas barulhentas, as outras pessoas são barulhentas, o mundo é barulho e cheio de tempestades furiosas, a depressão te faz odiar tudo isso em segundos.

terça-feira, 26 de agosto de 2025

Entre os fragmentos

Pensei em ti por tantos anos e tive experiências tão intensas quanto confusas, acredito que fugi da tua loucura e me mantive segura nesse mundo fantasioso da minha imaginação. 

Era um armário realmente desconfortável, um cômodo apertado que eu lutei com unhas e dentes pra não ter cupim, as traças invadiam com uma brutal facilidade.

Você mudou de lugares e nunca conseguiu fugir de todas as mentiras que queria acreditar, eu vou sentir saudades, vou chorar e vou te dizer mentalmente como o meu coração se partiu todas as vezes que você me traiu, imaginei uma vida, desejei segurar a tua mão e caminhar na direção do entardecer.

É difícil acreditar no pesadelo que você se colocou, a loucura e a falta de sentido, tenho sim um pouco de magoa, não preciso negar, mas, o pior é saber do quanto me frusta essa verdade, eu te amava e isso nunca vai morrer, eu te amava com uma insegurança imensa, eu te amava e nunca tivemos o tempo a nosso favor, eu te amava e sei que era recíproco.

Como eu te amava, Kah, escrevi tantas cartas só pra você, queria voltar aquele dia no teatro e te beijar sem reservas, segurar tua mão e dizer várias vezes: não me deixe, não me diga que escolhe um cara que nem liga pra você.

Você me traiu com tanta facilidade e eu fiquei terrivelmente quebrada, senti a dupla traição e a dupla rejeição como uma explosão. Tinhamos tantos sentimentos e você escolheu sempre um homem para destruir mais e mais a tua vida. 

Eu não consigo entender o que aconteceu com você, não consigo esquecer e não consigo aceitar que o teu coração parou de bater, um homem que não te amava te ceifou a vida, e as mulheres que te deram provas do sentimento você enganou.

Não te desejo nada além de melhores decisões e a felicidade que não tiveste neste mundo, eu queria te abraçar uma última vez, eu queria muito ouvir tua voz risonha e sarcástica. Queria dizer que mesmo com todos os erros não deixei de te amar.

Talvez, eu nunca consiga deixar de te amar.

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Distimia

Vivo pensando na inexistência

Durmo com a ansiedade 

Acordo com a depressão


Talvez eu tenha TAG

Sei que tenho TOC

E posso ter TDAH


Se eu tivesse uma arma 

Se eu tivesse 3 balas

Se eu soubesse atirar


Vivo entre os colapsos

Sonhando com o meu fim

No apocalipse bíblico da ficção


Talvez eu tenha uma vida cinza

Sei que tenho um narrador intrusivo

E posso criar milhares de paranóias


Se eu tivesse uma arma

Se eu tivesse 3 balas

Se eu soubesse atirar

domingo, 24 de agosto de 2025

Obtusa Alegria Infantil

Era a nossa palavra favorita

E agora não temos sequer um eco

Apenas fragmentos de memórias

E todas as desilusões do passado


Muitas vezes desejei te esquecer

Recolhi os espinhos e cavei uma cova

Enterrei essa nossa paixão doentia

Rasguei fotos e apaguei as promessas


Os anos e as certezas da falta

Não ter uma maturidade

Só ter a palavra

SAUDADE

domingo, 17 de agosto de 2025

Premonições

A cada ano invento que é o último

E imagino as catástrofes ilusórias

A personagem que escolhe o fim


Insônia que leva a remoer o suspense

E mesmo pela manhã o desejo mórbido

Característica implícita da depressão


Um sonho imperativo de sumir

Nas brumas de um mundo fictício

Aquele cenário do submundo e o rio


O título é sobre as invenções da mente

Realidade crua da dissociação de um suicida

Aquele filme tão vintage e cult que exala sépia 


Divagando entre as pequenas curvas da lucidez

Criando roteiros inteiros do outro lado e rindo

É loucura ou só uma dose de genialidade rara.

Exercício mental

 ~ Uma análise sobre a inutilidade e consagração da burrice como alavanca de um progresso baseado na corrupção:

O título é grande, mas, é uma realidade visível e óbvia que a grande maioria dos indivíduos que apoiam político B ou político L de forma fanática e transformam a pessoa em mártir ou em grande Mito da sociedade são sim pessoas delirantes que sofrem de algum transtorno mental ou quiçá um desvio de caráter extremo.

O ridículo esse ano tem dado cada vez mais ênfase no quanto a incapacidade brasileira de definir o que são valores e o que é puramente marketing de campanha. Entendo que a corrupção tem a tendência a criar raízes profundas e está atrelada no meio político desde o início dos tempos, mas, perpetuar continuamente esses moldes para engrandecer pessoas pervertidas em grandes líderes é demasiado repugnante.

Se B ou L tem suas pendências criminosas que B e L e seus aliados sejam devidamente punidos por isso com o rigor da lei e não seja feito cada dia mais imbecilidade como forma de desviar atenção e criar mais chacota num meio que já reverberou chacota o suficiente durante tantos anos.

Não é possível que a histeria coletiva continue beirando mais e mais o ridículo até que não reste nenhum homo sapiens sapiens nessa Terra.


domingo, 8 de junho de 2025

Desejo oculto

 As noites em êxtase febril

Vi aqueles olhos de serpente

Malícia sorridente

Os sussurros do vento

Esse espelho na ante sala

Mostrando nossos rostos

A simbiose perfeita

No caos de cada íris

Uma vertigem sinistra

As sombras e fantasmas

Perambulando pela casa

No silêncio que acalma

E na boca entreaberta 

Um segredo evidente:

A morte vem para o jantar.