Loucuras alucinantes não podem ser dosadas ou medicadas. A lucidez e a insanidade brincam com a verdade. Sabedoria é saber manobrar os silêncios nessa vida.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
sábado, 21 de janeiro de 2012
Intervalo calculado
Intervalo entre o talvez e a certeza
Pouca beleza florescendo entre as ervas
Certas ilusões tornando-se distantes recordações
Um calculo aleatório dessas probabilidades quânticas
Algumas gotículas de uma saudade muito antiga
Sobreposições desestruturadas no telhado
Aquela mangueira velha não existe
Suas mangas foram furtadas
As raízes continuam
Intocadas
Partilhei a minha doce nostalgia
Com alguns daqueles fantasmas andarilhos
Buscando sem destino a verdadeira luz do luar
Encontrei num breve intervalo calculado a tua loucura
Abracei-a sorrindo e sublimando minhas dores
Sussurrei ao rei dos pérfidos um segredo
Calculei a extensão do horizonte
Nos intervalos irregulares
Destruí falsas teorias
sábado, 7 de janeiro de 2012
Desilusão
Não é fascinação?
Não é pura ilusão?
Não é por emoção?
Da onde vem essa desilusão?
Qual a razão de sentir tanta solidão?
Se internamente já aceitei a tua rejeição.
O meu corpo não expressa as minhas dores,
Os meus olhos não visualizam belas cores,
O horizonte não se destacou nas folhas.
Desejei um sono sem sonhos,
Desejei tocar o infinito novamente,
Desejei morrer com um dos teus beijos.
Tive lampejos de insanidade e fúria,
Colhi amoras no quintal de Gaia,
Enterrei o amor desesperado.
Cultivei a serenidade das flores murchas,
O meu jardim se encheu de lama,
Reguei-o com minhas lágrimas.
Desilusão não rima com imensidão,
Desilusão não faz um belo verão,
Desilusão enferruja o coração.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Secreta Sensação
Secretamente forcei meu coração a sentir impulsos vertiginosos
Sinceramente falei dos impulsos e não controlei meus medos mórbidos
Suspirei e sussurrei ao vento um grito desesperado com gemidos prolongados
Soltei os fios da minha boneca de porcelana antes dela fugir sem rumo
Sabendo das diversas sensações proibidas aos não tão abjetos
No inicio o sabor daqueles sonhos era doce como o mel
Na metade do ano esse sabor tornou-se amargo no fim dos sonhos
Nenhum desses lindos sonhos acabava com sorrisos e promessas cumpridas
Nivelei certos pesadelos e apontei as minhas falhas mais queridas
Nunca consegui colher todas as tuas delicadas margaridas
Apertei meu corpo junto ao corpo de um desconhecido
Abraçando uma tristeza alheia no olhar brilhoso daquele individuo
Alterei todos os verbetes no final de tuas frases e fiz uma canção de ninar
Alimentei em segredo as ilusões de uma paixão fadada ao fracasso
Arrumei a sala deixando o quarto ficar inteiramente sujo
Observei do alto de meu abismo interior as árvores queimando
Obriguei-me a não chorar pela dor de minhas amigas esverdeadas
Olhei para a terrível brincadeira do fogo rezando por uma chuva divina
Ofegante e confusa me atirei naquelas belas chamas vermelho-alaranjadas
O meu corpo foi queimando lentamente pouco depois acordei assustada pela sede
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Ver e não perceber
Vejo o mundo de cabeça pra baixo.
Vejo o Sol na cor laranja.
Não vejo mais o azul nas folhas verdes.
Não vejo luz no fim daquele túnel.
Não vejo nada sem os óculos.
Vejo uma montanha imaginária de problemas.
Vejo o chão lajotado com vidros e pedras.
Vejo as mesmas cores desbotando.
Não vejo o amanhecer energizante dos pacientes.
Não vejo o teu quadro com linhas douradas.
Não vejo o interior deste corpo celeste.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Espaço figurativo
Em uma triste
madrugada acordei suada
Olhei pras
paredes do meu quarto
Percebi a minha
ausência
No espaço
figurativo
Desse cômodo
Esquecido
O ano terminou e
as luzes simplesmente queimaram
O natal não está
mais escrito nos meus cartões
É, acabaram com
as nossas doces ilusões
Nas ruas sujas
dessa velha cidade
Dezenas de bolas
coloridas
Foram esquecidas
Do espaço alguém
observa as estrelas cadentes
Entremeadas com
milhares de pedras lunares
Caindo todas
nessa nova Terra sem leis
Morreram os anos
de festas e gozos
Esqueci-me de
esquecer-me do final
Escolhi morrer
no Natal
Neste belo
mundo, mundano e coberto de lodo
É natal, nada
brilha no meu estranho quintal
Dezembro morreu
abraçado comigo
Ele será o meu
eterno amigo
Não lamentou
pelo fim
A morte é assim?
sábado, 3 de dezembro de 2011
Azulada
Olhar sem ver, sentir a luz pulsar
Beijar certezas e depois deixar pra lá
Sorrir dormindo ao lado de uma doce fantasia
Abrir os olhos e cismar sobre o luar
A lua azulada no formato do teu sorriso
Ver sem querer um eclipse dançando no infinito
Fechar a porta ao amanhecer
Escutar o teu canto sereno na cor azul
Subir montanhas em pensamento, tocando estrelas
Abraçar o calor do teu corpo
Esquentar a pedra de gelo daquele casebre
Contar as horas nos dedos dos pés
Preferir a incerteza do teu afeto
Proferir aquelas pilherias costumeiras
Desejar o perfeito sabor dos teus lábios molhados
Esquecer o passado no desenrolar das horas
Agradecer ao inevitável por não intervir nesse instante
Professar um encantamento atemporal na tua sala de jantar
Azulejar as idéias olhando teu rosto
Rezar para a Lua iluminar o nosso caminho
Registrar tudo num velho e amarelado pergaminho
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