segunda-feira, 16 de abril de 2012

Divagações


Um giro perfeito não deveria nos deixar tão zonzos.
Uma alegria antiga não deveria fazer-nos chorar.
Um olhar familiar não deveria nos magoar.

Um beijo antes do adeus não deveria ser sobre o fim,
Um beijo apenas alegraria e iluminaria o todo.
Um beijo assim não deveria acontecer.

Um giro perfeito não estremece o mundo?
Um mundo perfeito não gira a todo segundo?
Um adeus sempre destrói os nossos mundos?

Uma alegria furtiva e profunda.
Uma tristeza sem final.
Uma verdade.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

La película




La película?


Uma película em preto e branco azulada.
O brilho no olhar de alegria.
Uma falta de razão aparente.
Lampejando insanidade, sorrindo.

sábado, 3 de março de 2012

Mudanças



Algumas folhas rabiscadas
Unidas com barbante
E cola de isopor

A agenda nova em folha
Amarelo-claro, verde-oliva, azul
Com papeis mágicos cheios de possibilidades

Buracos de minhoca no meu Universo
Um mar reverso cheio de caos
Com algas desidratadas

A menina dos meus olhos
Cegou minha razão antes de partir
Com mudanças que poderiam se convergir

Essa brevidade do Ser
Parece falácia do inconsciente
O coletivo é onipresente nesse mar revolto

Mudei-me completamente por dentro
Costurei botões em minhas mãos
Alinhavei as bainhas do destino

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Quase morte


Vislumbre do infinito no espelho d'água;
Carnavalizar com o medo em folias vans.
Eu 'coisifiquei' o pós-vida no momento presente
Abraçando o meu e o teu passado afetuosamente.

Numa quase morte encontrei a lógica da vida,
Procurei as brechas nas páginas não-lidas;
Um coração só bombeia o sangue?

Mentir quando a verdade escapa
E o controle remoto te quebra.

É quase morte divina!?

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Lacunas no tempo



O ontem não passou
de belo beija-flor
sem violetas na janela

Voando baixo
rente a minha porta
um bem-te-vi

Ao pôr-do-Sol dourado
com pintas azuis
em nuvens borboletas 

Lacunas no espaço
o tempo é um presente
e há violetas roxas na janela

O hoje acabou
mais uma festa começou
e alguém morreu num leito hospitalar

Ninguém chorou
pobre beija-flor sem flor
lindo que te vi num bem-te-vi

Iluminada hora ignorada
na lacuna do porvir
o tempo chora

É só o tempo de ir embora
Ou agora ou no depois
sem revirar voltas