quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Doce Novembro

 Esqueci uma foto

perdi vários dados

e não lembro da senha

daquele arquivo 

só lembro 

do rastro

na areia


Querer guardar dinheiro 

para morrer em fevereiro 

no carnaval da carne

ou simplesmente 

sumir

nessa canoa furada


Crescer diante do espelho 

gera dores e melancolia

quando a imagem reflete

um espírito em ebulição 

quase explodindo 

pelas feridas abertas


quarta-feira, 15 de maio de 2024

VERTIGINOSA

Vertiginosa barata que passa por baixo de meus pés
Se esconde num buraco de minhocas que não existia
Um tempo que era seu e hoje não é meu
Nem poderia ser nosso maior tesouro
A vida indo por uma ladeira
Só descendo e descendo
A queda que isola
Várias ilusões
Sobre egos.

sexta-feira, 22 de março de 2024

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

Somando as frustrações

 Escrevi com lápis nesse papel reciclado

varias figuras da linguagem abstrata

para registrar o poder do trauma


Nem todo símbolo

transmite calma

a frustração exala


Sinto a presença daquele sujeito 

falando na minha mente da decepção 

ele morreu tão jovem naquele banheiro 


As falhas da palavra que se perde

como um caderno que você esquece

dentro de uma gaveta com a chave enferrujada.

segunda-feira, 5 de junho de 2023

Pensamento obsessivo

 Uma faca na garganta
Alívio definitivo
Sem aviso

Quebrar a cabeça
Na pia do banheiro
E ver o sangue escorrer

Uma alucinação
Distúrbio da razão
Desejo obsessivo

Um tiro no centro da testa
Nenhum adeus ou explicação
Apenas o vazio e silêncio

Aquele pensamento em looping
Cortar toda dor e não ter mais nada
Saindo totalmente dos eixos

(Sombra)

sábado, 22 de outubro de 2016

Trocar a máscara

O que é o tempo além de uma ilusão no olhar.

As interrogações somem
maquiagens desbotadas
sorrisos apagados

Sou algo além
dessa máscara de pele
envolvente

As cicatrizes saram
e novembro chora
pela mágoa de abril

Sou uma fagulha
queimando
até o fim

Trocar a máscara
parece simples
tolice

Você vê aquilo
na retina
Dela

Somos faíscas
que voam
pelo ar


domingo, 8 de fevereiro de 2015

não diga não

 
olhe para aquelas casas
foram abandonadas
na esquina


não diga não
nem fale sobre o ontem
pare de desejar o que ainda virá


escute com atenção
essas folhas que cantam
dentro das raízes no fundo da Terra 


cada pequena semente
esconde um tesouro
resplandecente


não fale
as frases afiadas
que cortam gargantas humanas


nem diga novamente
o quanto deseja
ir ao futuro


aproveite o agora
veja as luzes que brilham
em cada célula desta bela ilusão


ouça as vozes do Outro Mundo
escreva sobre nuvens
não diga não