terça-feira, 30 de setembro de 2025

A chuva de Anunciação

Trovoadas e chuva
Macapá se esfria
O inferno desse calor
Terrível dor e agonia

Somos como pequenas formigas
Soterradas na poeira
Vencemos a insolação
Com medo do barulho do trovão

O povo daqui é acostumado
Suporta o sol desgraçado
Enfrenta a chuva sorrateira
E convive com as ondas do Rio

Amar essa terra é tarefa árdua
De uma grande vontade tucuju
De dia um calor escaldante
De noite por milagre uma chuva 

Essa é a anunciação de Outubro
O terror nas criaturas do mato
Cada encantado trás suas lendas
E as cobras sussurram seus mitos.

🎃 (Genniffer Moreira) 🎃

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Singular amor circular.

 Escrito em 28 de agosto de 2014, faz 11 anos.

~ Para Rod Mergulhão ~

Sobrenatural é simplesmente surreal, a naturalidade expressada em cada ciclo que se movimenta no infinito azul do Nós. Velejamos pelas constelações das palavras que cantam poesia, ou a falta de poesia no coração dos humanos, demasiado humanos. Somos atraídos pelo forte desejo de sentir cada fragmento desse amor errante, similar ao boêmio que foge dos lugares comuns e comunga com as diversas particularidades que a sociedade despreza por tola ignorância, vaidade e presunção. Como é tola a sociedade, ignorante das belezas do singular amor circular repleto de verdade, como é tola a sociedade, ah, como é tola essa cidade.

Na ilusão de ser mais do que mero pedaço de terra, quer ser fronteira, território, diz até que é cidade, como é tola nessa idade. E cá estamos, querido irmão das palavras, amante dos versos, não digo 'meu' pois tu não eis mero objeto de meu desejo, eis possuidor de si, representador de tua voz, ainda assim, parte de minha alma, é outra metade de mim que nasceu com o raro talento de interpretar, o sobrenatural talento de rimar pensamentos e colorir sentimentos através dos teus sublimes poemas. Dou-te o calor que emana desse amor circulante em 'meu' peito, siga circulando o nosso amor talhado de singular geometria cíclica.

Sobre nada interessante que faça pensar nessas larvas que não conseguem tecer seus próprios casulos e maldizem versos, rimas, amor e a panapaná-cardume. Sobretudo, senti as vibrações de real pureza na totalidade de teus melodiosos versos, por tanto, agradeço-te em demasia a sobrenatural alegria de ler-te poetizar tão rara certeza azulada. Sobre tudo, sobre ser natural, sobre o amor violeta.

A realidade da depressão

 Acordar e imaginar que é um ótimo dia para morrer, dormir novamente pensando em nunca mais levantar, às vezes se ver dentro da terra e a sensação de sufocamento de estar viva parecer menos indigesta. 

É uma sucessão de sentimentos que levam ao mesmo lugar. 

Os dias são cinzentos, os meses são como uma eternidade e os anos são como a certeza de que a vida não tem cor. 

As coisas vão se escurecendo e escurecendo até que com o passar dos anos você entende que não precisa mais continuar.

Não existe mais importância no amanhã, não existe nenhum outro desejo além da certeza de que tudo é insignificante, só existe um pensamento fixo e intrusivo que se torna a realidade. 

Só existe o conforto de envelhecer e partir, assim, a realidade da depressão é que a melhor conclusão é sumir.

As pessoas depressivas escolhem a invisibilidade e a costumeira alegria do sono por não suportar os dias, sobreviver aos dias é como entrar num furacão. 

Todos os dias nessa imensidão de vidas barulhentas, as outras pessoas são barulhentas, o mundo é barulho e cheio de tempestades furiosas, a depressão te faz odiar tudo isso em segundos.

terça-feira, 26 de agosto de 2025

Entre os fragmentos

Pensei em ti por tantos anos e tive experiências tão intensas quanto confusas, acredito que fugi da tua loucura e me mantive segura nesse mundo fantasioso da minha imaginação. 

Era um armário realmente desconfortável, um cômodo apertado que eu lutei com unhas e dentes pra não ter cupim, as traças invadiam com uma brutal facilidade.

Você mudou de lugares e nunca conseguiu fugir de todas as mentiras que queria acreditar, eu vou sentir saudades, vou chorar e vou te dizer mentalmente como o meu coração se partiu todas as vezes que você me traiu, imaginei uma vida, desejei segurar a tua mão e caminhar na direção do entardecer.

É difícil acreditar no pesadelo que você se colocou, a loucura e a falta de sentido, tenho sim um pouco de magoa, não preciso negar, mas, o pior é saber do quanto me frusta essa verdade, eu te amava e isso nunca vai morrer, eu te amava com uma insegurança imensa, eu te amava e nunca tivemos o tempo a nosso favor, eu te amava e sei que era recíproco.

Como eu te amava, Kah, escrevi tantas cartas só pra você, queria voltar aquele dia no teatro e te beijar sem reservas, segurar tua mão e dizer várias vezes: não me deixe, não me diga que escolhe um cara que nem liga pra você.

Você me traiu com tanta facilidade e eu fiquei terrivelmente quebrada, senti a dupla traição e a dupla rejeição como uma explosão. Tinhamos tantos sentimentos e você escolheu sempre um homem para destruir mais e mais a tua vida. 

Eu não consigo entender o que aconteceu com você, não consigo esquecer e não consigo aceitar que o teu coração parou de bater, um homem que não te amava te ceifou a vida, e as mulheres que te deram provas do sentimento você enganou.

Não te desejo nada além de melhores decisões e a felicidade que não tiveste neste mundo, eu queria te abraçar uma última vez, eu queria muito ouvir tua voz risonha e sarcástica. Queria dizer que mesmo com todos os erros não deixei de te amar.

Talvez, eu nunca consiga deixar de te amar.

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Distimia

Vivo pensando na inexistência

Durmo com a ansiedade 

Acordo com a depressão


Talvez eu tenha TAG

Sei que tenho TOC

E posso ter TDAH


Se eu tivesse uma arma 

Se eu tivesse 3 balas

Se eu soubesse atirar


Vivo entre os colapsos

Sonhando com o meu fim

No apocalipse bíblico da ficção


Talvez eu tenha uma vida cinza

Sei que tenho um narrador intrusivo

E posso criar milhares de paranóias


Se eu tivesse uma arma

Se eu tivesse 3 balas

Se eu soubesse atirar

domingo, 24 de agosto de 2025

Obtusa Alegria Infantil

Era a nossa palavra favorita

E agora não temos sequer um eco

Apenas fragmentos de memórias

E todas as desilusões do passado


Muitas vezes desejei te esquecer

Recolhi os espinhos e cavei uma cova

Enterrei essa nossa paixão doentia

Rasguei fotos e apaguei as promessas


Os anos e as certezas da falta

Não ter uma maturidade

Só ter a palavra

SAUDADE

domingo, 17 de agosto de 2025

Premonições

A cada ano invento que é o último

E imagino as catástrofes ilusórias

A personagem que escolhe o fim


Insônia que leva a remoer o suspense

E mesmo pela manhã o desejo mórbido

Característica implícita da depressão


Um sonho imperativo de sumir

Nas brumas de um mundo fictício

Aquele cenário do submundo e o rio


O título é sobre as invenções da mente

Realidade crua da dissociação de um suicida

Aquele filme tão vintage e cult que exala sépia 


Divagando entre as pequenas curvas da lucidez

Criando roteiros inteiros do outro lado e rindo

É loucura ou só uma dose de genialidade rara.