novo observar
obsessão do entardecer
ver a tua cara ensolarada
outra melodia ecoa
somos faíscas
as nossas
melhores lembranças
ostentando sorrisos
reencontrar no rádio
essa música
sobre um velho amor
Loucuras alucinantes não podem ser dosadas ou medicadas. A lucidez e a insanidade brincam com a verdade. Sabedoria é saber manobrar os silêncios nessa vida.
novo observar
obsessão do entardecer
ver a tua cara ensolarada
outra melodia ecoa
somos faíscas
as nossas
melhores lembranças
ostentando sorrisos
reencontrar no rádio
essa música
sobre um velho amor
Consternada
em desespero febril
joguei meu corpo infantil
no rio
criança abusada
não é boa menina
tem que ficar calada
morrer sozinha
me atirei na água
quatro anos
soluçando
se afogando
o ato de afogar a dor
corpo sujo
suando frio
sentindo nojo
criança exposta
ferida aberta
coração sangrando
ato de suicidar-se no breu
o rio leva embora
sujeira e medo
o rio leva longe
o meu segredo
criança afogada
no esquecimento
do adulto perverso
pervertido
o rio suga a alma
leva embora
e afoga
no fundo
a criança sempre
deseja sumir
com a dor
sem fundo
afogou-se no rio
era uma bela manhã
ela se jogou
lá no fundo
perdida na escuridão
sem respirar
ela se afogou
ali era fundo
olhos fechados
aura em tons de fúcsia
maresia sonora
bebemos da palavra
somos como andorinhas
voando sempre
na direção
Norte.