Consternada
em desespero febril
joguei meu corpo infantil
no rio
criança abusada
não é boa menina
tem que ficar calada
morrer sozinha
me atirei na água
quatro anos
soluçando
se afogando
o ato de afogar a dor
corpo sujo
suando frio
sentindo nojo
criança exposta
ferida aberta
coração sangrando
ato de suicidar-se no breu
o rio leva embora
sujeira e medo
o rio leva longe
o meu segredo
criança afogada
no esquecimento
do adulto perverso
pervertido
o rio suga a alma
leva embora
e afoga
no fundo
a criança sempre
deseja sumir
com a dor
sem fundo
afogou-se no rio
era uma bela manhã
ela se jogou
lá no fundo
perdida na escuridão
sem respirar
ela se afogou
ali era fundo
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Não se acanhe.