sábado, 12 de setembro de 2026

Caos Literal

 A secreta euforia
uma hipomania 
nessa discreta 
ferida aberta 

Teus olhos 
num espelho 
o vidro quebrando 
entre os pedaços 
do coração

Não é loucura
só por diversão
nova emoção

o delírio 
de uma noite
ou outra alucinação.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Flerte surreal

 Expectativa e desejo ardente 
é sobre o beijo envolvente 
uma promessa latente

O silêncio das memórias 
essas paredes do destino 
o beijo de despedida 

Deveria existir
rimas complexas
na arquitetura 

É a carência do toque 
e a intenção nessa nota
guardando palavras 

Rimava com encontro 
e depois desencontro 
numa breve partida 

Aquelas janelas
são claras e novas
nessa casa dos gatos

Desejo encontrar
e desejo colar
nossos lábios e olhares

O flerte de dias 
num piscar de olhos
mostra algo ali na escada.

domingo, 23 de agosto de 2026

Tristeza bonita

 

a vida é bela

filme que 

nunca esqueci


a guerra é feia

mas tem os tons

da tristeza bonita 


quero dormir 

 sorrindo 

e sonhar com ela


não é o amor

nem a mulher 

dos sonhos 


quero sonhar 

com a aurora 

o nascer do sol


sábado, 22 de agosto de 2026

POEMA DE RIO - Pedro Stkls

 buruti buruti

como se

bebe o rio?


taperebá

que é doce

a água leva


vi esta noite

a lamparina

da lua alumiar

ela mergulhou

na água

acordou

o jacundá

que quando

viu já era sol

de quase

meio-dia


Pedro Stkls 🐦 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

SEM SAÍDA - PAT ANDRADE

Sem saída 


o dia seguinte está repleto

de silêncio e desconforto

as lágrimas molham

os cômodos da casa


um sem-jeito no corpo

uma dor que não passa

um olho que não se fecha

e a mente inquieta


na agonia da segunda-feira 

até as plantas querem fugir do vaso

as raízes frágeis procuram lugar 

no piso vermelho do pátio


mas já não há saída

não há paz do lado de dentro

e nem liberdade do lado de fora


Pat Andrade

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

nenhuma mudança

 Escrevo. Não é uma nova frase clichê do amor, não digo que tudo sobre o amor seja clichê. Algo deveria mudar!

Escrevo novamente. Não quero registrar lamentações e enganos, o cotidiano parece sim mais colorido, seria hipocrisia continuar na mesma tecla de uma letra que permanece travada. Algo deveria mudar e deveria sair de algum lugar ali dentro do pensamento.

Escrevo para outra pessoa e quero receber uma carta de um fantasma.

Não vale o esforço esperar por longos anos, não vale sequer um vintém. Esperar a mudança é uma tolice que leva por caminhos tão fragmentados, lembrar que a realidade se distorce, lembrar de comprar um novo celular, lembrar de beber água, lembrar de detalhes sobre uma criança, lembrar da idosa, lembrar de sobreviver.

As mensagens continuam numa tela invisível e os olhos precisam de lentes novas, gastar dinheiro com qualquer jogo, gastar dinheiro com uma roupa nova. Nenhuma mudança nas cobranças do cartão de crédito, juros e enormes redemoinhos de boletos, viver é trabalhar para sobreviver, viver é mendigar tempo para ouvir o filho ler.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Nova fase

entre o sono e a desilusão
vive uma flor com cheiro de casa
não quero fazer uma rima
de casa e pobreza torpe

sinto sua falta 
os braços e as pernas 
esquentando 
a minha dor
sinto tanto 
por sua indiferença 

não é possível esquecer 
eu quero amarrar
o meu coração 
no teu coração 

a dor de barriga 
o medo de perder 
essa tristeza febril
é por causa do amor 

sinto falta do teu cheiro 
dessas mãos que protegiam
toda a minha carência 
numa única tragada

eu sinto a sua falta 
não era amor
era o desejo
sei que era
uma paixão 
violenta.

domingo, 26 de julho de 2026

A mensagem no verso

 Eu vou fazer um poema
porque não sei desenhar.

O protagonista gosta de cantar
é como um galo na aurora do dia.

Já as serpentes andam em bando
umas se mordem por diversão

Existe brilho e existe sombra
ali no lodo existe um poço 
não tem mais fundo.

A lama atrai e gera enganos
são como raízes dentro da terra
quem olha de fora acha bonito 
é um pântano grande 
e gera novas aventuras.

— Não cave a lama! Não cave a lama!

Existe risco e existe sombra
não é tão fácil sair do lodo
não é tão fácil sair da lama.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Matemática avançada

que quer construir
não DIVIDE
quem quer dividir
não multiplica
nem constrói

quem quer destruir
não SOMA
quem quer somar
não DESTRÓI

domingo, 5 de julho de 2026

Objeto do círculo

 Todas as dimensões 

embrulhadas

 numa 

caixa redonda

e nenhum bilhete 


a carta do amor

se perdeu

no correio 

e nunca chegou 

ao destinatário 


ela desejava ser

a paixão 

daquele menino

como desejou ser

a sua própria paixão 


aquela carta estava rasgada 

num beco sem saída 

pedaços do papel 

voando para dentro 

do esgoto esquecido 


outro rapaz 

mandava um coração 

numa rede social 

querendo chamar atenção 

sem fazer esforço 


se o coração fosse real

a sensação seria 

como as borboletas 

e não como os morcegos

no estômago adoecido.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Ode a sobrevivência

 Luto para continuar respirando 
não quero viver nessa eterna fase
o jogo precisa de um ponto final 

Não vejo sentido nos preços 
a tabela deveria quebrar
todo dinheiro é uma troca 

Sinto saudades daquela menina 
não consigo esquecer o sentimento 
quero mudar o canal da tv

Trabalhar é como o caos
toda hora parece o inferno 
a rotina mata o cérebro 

O casamento entre homem e mulher 
todos os tempos dessa frase 
criam o ato do desamor

A morte destrói a ilusão 
não casei com a mulher dos sonhos 
não vou casar com um homem vulgar.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Chuvisco diário

 ruas alagadas transbordam
casas que dormem
segredos e mofo

No mapa Macapá existe
o céu perto do chão
e chuva no café

não é possível
calar essa Voz
ancestral


quarta-feira, 13 de maio de 2026

lastro de plasma

 uma jovem super arrogante
entre os bordados de uma vida 
a amplitude do silêncio acalma 

desejo que a lâmina rompe
um livro esquecido 
canetas vazando

era sangue no papel 
cheiro de ferrugem 
o lastro da vida 


quinta-feira, 7 de maio de 2026

dissociação da madrugada

 a cabeça flutua
números na retina
escrevo no vento 

os tercetos
da madrugada 
em instantes 

consigo prever
cada pequena vibração 
detesto essa crise

é só outra dissociação 
um lapso novo no verso
e pensamentos terríveis 

terça-feira, 5 de maio de 2026

O mundo invertido

 Lucy odiava tantas coisas.
Wilson casou com Felipe.
Laura amava as sutilezas.
Gervásio tinha um sonho.

Lucas pensava em fugir.
Gertrudes viajou.
Ronaldo ganhou na loteria.
Xica mascava tabaco na plantação.

Anitta não queria casar aos 14 anos.
Ismo saiu de casa com a sua dor.
Sinara esquecia suas senhas.
Aroldo teve um infarto.

Fenícia era mãe de pet.
Júlio tinha desejo suicida.
Luciana não amava José.
Virgílio caiu de um penhasco.

O mundo nunca faz sentido.



sábado, 25 de abril de 2026

Ela partiu antes


Ela correu dos braços d'Ele,
Ela andou chorando e cantando,
Ela faleceu em plena queda.

O Senhor das Trevas aplaudiu,
O adeus engatado na garganta,
O calor em meio ao frio.

A capa vermelha lhe cobriu,
A felicidade era ilusão.
A sua fútil ilusão.

sábado, 18 de abril de 2026

Amor-tecer numa Fantasia

 Esse tecer que se tornou fuga
outra mentira entre os nós
Várias linhas cortadas

Outra pequena ilusão
nenhuma falsa paixão
Só aquele amor-tecer

Talvez 
uma nova 
Obsessão

A fantasia 
ali num sonho
sobre um breve amor.


sexta-feira, 10 de abril de 2026

Sobre a fuga de Si

 Lucy correu. 

Ela correu por tantas horas e a chuva também correu com ela, era um correr frenético entre ruas escuras, poças de lama e praças desconhecidas.

A cada respiração ofegante suas pernas tremiam e já parecia ser impossível chegar ao centro de todas as frustrações que levavam-na para tão longe, correr e correr mais, num desespero asfixiante.

TOC TOC - alguém batendo na porta.

Toc Toc Toc Toc Toc...


Lucy na janela observa o vazio. 

O bater na madeira aumenta do lado de fora da casa,  ela continua olhando fixamente para um ponto no outro lado do quintal, a porta range um pouco ao ser aberta, ninguém na entrada, apenas um envelope amarelado no tapete.

Ela continua correndo em disparada o mais longe possível, sem direção, apenas numa louca corrida sem ponto final.


Lucy correu em seus pensamentos como uma maratonista eficiente.


(...)

Escrito em 10 de abril de 2017.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

O mundo corre

 Aquela jovem tem talento, real, visível.

Na minha época o mundo já corria como corre agora em 2026? Ser jovem é sentir a vida num prisma totalmente diferente do adulto que observa as mudanças de cada estação.

Eu sempre sonhei com a literatura, eu sempre desejei publicar muitos livros e sempre me fixei na escrita como a salvação e a única beleza da minha geração, ler era minha maior alegria, sentir as páginas dos meus livros preferidos quando voltava pra casa.

O mundo que corre numa velocidade terrível.

Essa observação que transcorre no pensamento e se perde em memórias, não é uma simples falácia. Eu sonho com a poesia e sonho com as palavras como sonho com um mundo melhor. Talvez a vida preste porque existe a poética e a certeza de saborear um verso antes de fechar os olhos pela última vez.

O mundo corre e tudo parece correr junto com ele.

domingo, 29 de março de 2026

É sobre Suicide Solution

 Aquela senhora cujo nome é Rosa me indicou algo peculiar, e era a realidade crua, o título, a certeza, o escritor fica procrastinando para encontrar uma saída, e outra pessoa trás a solução com maestria.

— Escreva o nome grande na capa: "SUICÍDIO". Faça sem medo do que podem pensar ou falar, publique assim e seja incisiva que vai falar sobre a ideação suicida.

Atônita, literalmente, em choque por uns minutos fixei os meus olhos nos olhos daquele mulher sábia.

O projeto Lágrimas em versos é sobre ideação suicida na infância e na adolescência, sobre dissociar e desejar uma vida nova ou simplesmente falecer sem precisar suportar todas as estações da jornada humana. Era um desejo que aquela criança teve para permanecer caminhando nessa terra sem desistir de sua própria existência por completo, várias vezes cheguei a conclusão que era melhor desistir, ser uma fracassada e sumir, isolar as alucinações num quarto pequeno e aceitar a normalidade dos dias de exaustão e barulho ensurdecedor.

Ser apenas uma ameba esquisita entre as quatro paredes de uma casa museu com livros e estantes de madeira, ser uma bactéria, talvez um ácaro no mofo das paredes verdes desbotadas, ser parte das rachaduras nas vigas que seguram a estrutura de uma consciência entre os colapsos.

A resistência e a revolução, a invenção dos homens e a possibilidade de transformar morte em poema, poesia não precisa fazer sentido, mas, na singularidade do verso é exigido um sentir, essa diferença cria um eco.

Escrever é resistência? A suicide solution era a desistência? Qual a verdade e qual a mentira por trás dessas perguntas? Escrever é um suspiro.

Viver e escrever, respirar e escrever, continuar viva enquanto o sangue jorra dos corpos de mulheres nessas ruas. A tristeza e a dor, a ausência de suavidade nos dias de terror.