domingo, 11 de janeiro de 2026

era sobre a loucura

 parecia verdade 

estava sempre no jornal 

parecia tão real


era sobre uma guerra

não era fantasia

era o início da guerra fria


um presidente louco

outro presidente tolo

e o espião no controle do Mundo 


era sobre hegemonia

não era sobre a supremacia white

devia ser sobre o estopim do Caos


era 2026 e parecia ser 2021

tudo mudou em 2020

nada ficou no lugar 


era só uma epidemia

virou uma onda de revoluções

a distopia do Apocalipse


no livro sagrado 

páginas queimadas

era sobre a loucura


estava escrito

todos os livros sagrados

são ficção na era de 2069


era de um futuro crucial 

a religião não tem mais valor legal

é só um tipo de fantasia dos lunáticos 


essa loucura que cega

entre fanatismo arcaico 

e as motivações do inferno 


nesse futuro concreto 

a única certeza

é o poder


sábado, 10 de janeiro de 2026

o chá de Boldo

Ramos num quintal-piscina,

perto do depósito e da lavanderia 

numa grande bacia em tons

de azul anil desbotando

vive aquele espírito

— é erva, é planta, é amigo!


E bebo aos pequenos goles

deste chá que tem sabor de álcool e leveduras

nesse dia ensolarado de janeiro 

degustando as horas e o ócio 

No chá de boldo.


quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Dia do Leitor

 Hoje 7 de Janeiro é o dia do Leitor.

Esqueço com frequência de certas datas, mas acredito na importância deste dia, os livros são os melhores amigos que tive na infância, arrisco dizer que até hoje valorizo-os mais do que qualquer outra coisa.

A leitura me fez querer conhecer mais sobre detalhes que nenhuma TV ou conversar com outros seres teria feito, sempre fui uma criança anti social. Lembro da biblioteca da escola como um lugar de conforto e alegria, aquele silêncio satisfatório, as estantes cheias de livros e o canto regulador da sobrecarga da sala de aula, ali era um paraíso de possibilidades.

Os professores tiveram sim pontos positivos, porém, o barulho da escola e aquele amontoado de pessoas sempre me causou dor de cabeça, ansiedade e o desejo de me isolar num local silencioso.

O meu cérebro já dava os seus sinais de exaustão, porém, eu não sabia da real situação. Passei fases de exaustão e depressão onde somente o ato de ler me aliviava mesmo que em pequenas doses.

Atualmente sei um pouco da verdade, e agradeço a cada livro que me trouxe de volta para o eixo, escrever também me trás cura, mas, não seria possível escrever se não tivesse sido possível ler.

A vida faz mais sentido se tiver livros no mundo e mais leitores usufruindo de boas leituras.

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domingo, 4 de janeiro de 2026

aos fragmentos

 como recuperar aquele momento?

sentir o gosto real do sentimento.

tocar o espírito e a pele,

acolher cada fractal

e colar

nossos corações

numa fotografia colorida.


essa obsessão que retrocede,

teu nome escrito

com sangue

no meu peito

e a tua voz ecoando

na minha alma desfragmentada.


te vejo nos sonhos 

e quando chove 

quero te segurar nessa fantasia

com todas as minhas forças

só para acordar

nessa cama vazia.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Desfragmentar

novo observar 

obsessão do entardecer 

ver a tua cara ensolarada

outra melodia ecoa

somos faíscas


as nossas 

melhores lembranças

ostentando sorrisos

reencontrar no rádio

essa música 

sobre um velho amor

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Afogamento proposital

 Consternada

em desespero febril

joguei meu corpo infantil 

no rio


criança abusada

não é boa menina

tem que ficar calada

morrer sozinha


me atirei na água

quatro anos

soluçando

se afogando


o ato de afogar a dor

corpo sujo

suando frio

sentindo nojo


criança exposta

ferida aberta

coração sangrando

ato de suicidar-se no breu


o rio leva embora 

sujeira e medo 

o rio leva longe

o meu segredo


criança afogada

no esquecimento

do adulto perverso

pervertido


o rio suga a alma

leva embora 

e afoga

no fundo


a criança sempre

deseja sumir

com a dor

sem fundo


afogou-se no rio

era uma bela manhã

ela se jogou

lá no fundo


perdida na escuridão

sem respirar

ela se afogou

ali era fundo 


quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

poema da loucura

 olhos fechados 

aura em tons de fúcsia

maresia sonora

bebemos da palavra

somos como andorinhas

voando sempre

na direção 

Norte.