amnésia de horas
fractais da ilusão
olhos que não vemos
rascunhos de versos
pequenos segredos
no Mar do esquecimento.
Loucuras alucinantes não podem ser dosadas ou medicadas. A lucidez e a insanidade brincam com a verdade. Sabedoria é saber manobrar os silêncios nessa vida.
amnésia de horas
fractais da ilusão
olhos que não vemos
rascunhos de versos
pequenos segredos
no Mar do esquecimento.
"o verso morre na garganta"
som e silêncio
a poética do fim
aquela sombra
do verso
é sobre
VER
um sonho além
ato de ir ao subjetivo
na sonora aceitação
do cruel vilão
a VOZ
estrelas explodem
nas vias do fato
num verso
complexo
além
dos
Nós.
Obcecada por um novo rumo
a pequena menina se afogou
no fundo do rio seu corpo jazia
a pressão da água lhe tirou a vida
Ao por do sol ela acordou
na areia da prainha
garganta ardendo
voltou dos mortos
Aquele dia parece um delírio
a menina queria não estar viva
algum defeito na ruptura do Tempo
ela estava deitada na areia
Pensar na inexistência
delirar após a violação
um corpo infantil quebrado
uma melancolia que nunca terá fim
Ela só queria se afogar no rio
uma morte tão precoce
Água do esquecimento
Areia entre as feridas do eu
Delírios da inexistência
a pequena sombra que cresceu
distorcida em sua fúria
aquela sombra sou eu
Ele encontrou a prisão
Milhares de mortos em Covas abertas
Na TV a chacina dessa favela
Corpos no meio da rua
Crianças correndo
As crianças continuam correndo
Correndo sem saber do futuro
Somos todos crianças
Correndo para longe da realidade
Criando memórias congeladas
Nesse freezer chamado de fantasia
Somos todos tolos buscando um lar
Eu quero tanto respirar
Não consigo respirar
Apenas vejo as mudanças
Quero pular dessa fantasia fajuta
Estou correndo no meio dos corpos
Uma bala marcou meu futuro
No passado acendi a pólvora
Sangue escuro no chão
Essa dor sem razão
Era uma vez...
Mortos e mortos e mortos
Estirados numa vala
Zé ninguém sem eira nem beira
Somos crianças correndo das nossas feridas
Pequenas crianças correndo e morrendo
Somos crianças num circo de horrores
E o palhaço quer comer a inocência
Era uma vez...
Mortos na guerra dos ricos
A pobreza estampada nas ruas
E carros de luxo no alto dos morros
Eu quero livros e livros de poesias
Uma dose de gengibirra e notas de 100
Eu quero olhar ao redor enquanto a roda gira
Olha essas crianças correndo e correndo e correndo.
No peito rasgado
eu tenho a minha Voz
um canto sangrado
no meio do Nós.
Sem nós
Sem voz
Nenhum de Nós
Só um peito sangrando
no vazio do nós.
Os sonhos com a riqueza,
Voltando ao passado,
Perdendo memórias
No rio do esquecimento.
Gostar de pessoas que cantam,
No entanto, a dor de nunca cantar,
Emoções que se misturam na Água
E transbordam as suas loucuras.
Uma dose de vodka e várias pílulas
Nesse balcão de vidro espelhado,
Sangue e Vozes na cabeça,
A corrida para casa.
Saudade de um amigo
E os dias que nunca mais
Vamos ver juntos, o nascer do Sol
E a Lua que enfeitiçou nossa retina.
Ouço as vozes nesse Imenso Mundo Invertido
Escolho uma estrada bonita e iluminada
Entre as lágrimas e a dor imudecida
Calço as chinelas velhas
Ando pelo asfalto quente
Limpando as lágrimas do rosto
Preciso chegar nessa ladeira hostil
Aquelas vozes rindo e chorando por uma faísca
A escada para lugar nenhum é simples
Tão simples que não se pode alcançar o início
Vivemos correndo pelas montanhas áridas
E a vertigem surge na hora de descer
A lucidez é a primeira que some
Entre as nuvens dessa cidade
O calor queima as nossas árvores
Preciso sair dessa realidade invertida.