sexta-feira, 28 de novembro de 2025

dos poemas que esqueci

amnésia de horas

fractais da ilusão

olhos que não vemos

rascunhos de versos

pequenos segredos

no Mar do esquecimento.

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

O verso sobre a Voz

 "o verso morre na garganta"


som e silêncio

a poética do fim

aquela sombra

do verso

é sobre

VER


um sonho além

ato de ir ao subjetivo

na sonora aceitação

do cruel vilão

a VOZ


estrelas explodem

nas vias do fato

num verso

complexo

além 

dos 

Nós.


domingo, 23 de novembro de 2025

Delírios da inexistência

 Obcecada por um novo rumo

a pequena menina se afogou

no fundo do rio seu corpo jazia

a pressão da água lhe tirou a vida


Ao por do sol ela acordou

na areia da prainha

garganta ardendo

voltou dos mortos


Aquele dia parece um delírio

a menina queria não estar viva

algum defeito na ruptura do Tempo

ela estava deitada na areia


Pensar na inexistência

delirar após a violação

um corpo infantil quebrado

uma melancolia que nunca terá fim


Ela só queria se afogar no rio

uma morte tão precoce

Água do esquecimento

Areia entre as feridas do eu


Delírios da inexistência

a pequena sombra que cresceu

distorcida em sua fúria

aquela sombra sou eu

sábado, 22 de novembro de 2025

Anos congelados na memória

Ele encontrou a prisão

Milhares de mortos em Covas abertas

Na TV a chacina dessa favela

Corpos no meio da rua

Crianças correndo


As crianças continuam correndo

Correndo sem saber do futuro

Somos todos crianças

Correndo para longe da realidade


Criando memórias congeladas

Nesse freezer chamado de fantasia

Somos todos tolos buscando um lar

Eu quero tanto respirar


Não consigo respirar

Apenas vejo as mudanças

Quero pular dessa fantasia fajuta

Estou correndo no meio dos corpos


Uma bala marcou meu futuro

No passado acendi a pólvora

Sangue escuro no chão

Essa dor sem razão


Era uma vez...

Mortos e mortos e mortos

Estirados numa vala

Zé ninguém sem eira nem beira


Somos crianças correndo das nossas feridas

Pequenas crianças correndo e morrendo

Somos crianças num circo de horrores

E o palhaço quer comer a inocência


Era uma vez...

Mortos na guerra dos ricos

A pobreza estampada nas ruas

E carros de luxo no alto dos morros


Eu quero livros e livros de poesias 

Uma dose de gengibirra e notas de 100

Eu quero olhar ao redor enquanto a roda gira

Olha essas crianças correndo e correndo e correndo.


quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Nenhum de Nós

No peito rasgado 

eu tenho a minha Voz

um canto sangrado

no meio do Nós.


Sem nós

Sem voz

Nenhum de Nós 

Só um peito sangrando

no vazio do nós.

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Realidade deturpada

Os sonhos com a riqueza,

Voltando ao passado,

Perdendo memórias 

No rio do esquecimento.


Gostar de pessoas que cantam,

No entanto, a dor de nunca cantar,

Emoções que se misturam na Água

E transbordam as suas loucuras.


Uma dose de vodka e várias pílulas

Nesse balcão de vidro espelhado,

Sangue e Vozes na cabeça,

A corrida para casa.


Saudade de um amigo

E os dias que nunca mais 

Vamos ver juntos, o nascer do Sol 

E a Lua que enfeitiçou nossa retina.


segunda-feira, 3 de novembro de 2025

A vertigem

Ouço as vozes nesse Imenso Mundo Invertido

Escolho uma estrada bonita e iluminada

Entre as lágrimas e a dor imudecida

Calço as chinelas velhas

Ando pelo asfalto quente

Limpando as lágrimas do rosto

Preciso chegar nessa ladeira hostil

Aquelas vozes rindo e chorando por uma faísca 


A escada para lugar nenhum é simples

Tão simples que não se pode alcançar o início

Vivemos correndo pelas montanhas áridas

E a vertigem surge na hora de descer

A lucidez é a primeira que some

Entre as nuvens dessa cidade

O calor queima as nossas árvores

Preciso sair dessa realidade invertida.