sábado, 22 de novembro de 2025

Anos congelados na memória

Ele encontrou a prisão

Milhares de mortos em Covas abertas

Na TV a chacina dessa favela

Corpos no meio da rua

Crianças correndo


As crianças continuam correndo

Correndo sem saber do futuro

Somos todos crianças

Correndo para longe da realidade


Criando memórias congeladas

Nesse freezer chamado de fantasia

Somos todos tolos buscando um lar

Eu quero tanto respirar


Não consigo respirar

Apenas vejo as mudanças

Quero pular dessa fantasia fajuta

Estou correndo no meio dos corpos


Uma bala marcou meu futuro

No passado acendi a pólvora

Sangue escuro no chão

Essa dor sem razão


Era uma vez...

Mortos e mortos e mortos

Estirados numa vala

Zé ninguém sem eira nem beira


Somos crianças correndo das nossas feridas

Pequenas crianças correndo e morrendo

Somos crianças num circo de horrores

E o palhaço quer comer a inocência


Era uma vez...

Mortos na guerra dos ricos

A pobreza estampada nas ruas

E carros de luxo no alto dos morros


Eu quero livros e livros de poesias 

Uma dose de gengibirra e notas de 100

Eu quero olhar ao redor enquanto a roda gira

Olha essas crianças correndo e correndo e correndo.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Não se acanhe.