domingo, 23 de novembro de 2025

Delírios da inexistência

 Obcecada por um novo rumo

a pequena menina se afogou

no fundo do rio seu corpo jazia

a pressão da água lhe tirou a vida


Ao por do sol ela acordou

na areia da prainha

garganta ardendo

voltou dos mortos


Aquele dia parece um delírio

a menina queria não estar viva

algum defeito na ruptura do Tempo

ela estava deitada na areia


Pensar na inexistência

delirar após a violação

um corpo infantil quebrado

uma melancolia que nunca terá fim


Ela só queria se afogar no rio

uma morte tão precoce

Água do esquecimento

Areia entre as feridas do eu


Delírios da inexistência

a pequena sombra que cresceu

distorcida em sua fúria

aquela sombra sou eu

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