Obcecada por um novo rumo
a pequena menina se afogou
no fundo do rio seu corpo jazia
a pressão da água lhe tirou a vida
Ao por do sol ela acordou
na areia da prainha
garganta ardendo
voltou dos mortos
Aquele dia parece um delírio
a menina queria não estar viva
algum defeito na ruptura do Tempo
ela estava deitada na areia
Pensar na inexistência
delirar após a violação
um corpo infantil quebrado
uma melancolia que nunca terá fim
Ela só queria se afogar no rio
uma morte tão precoce
Água do esquecimento
Areia entre as feridas do eu
Delírios da inexistência
a pequena sombra que cresceu
distorcida em sua fúria
aquela sombra sou eu
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Não se acanhe.